Poesia

A Poesia alcança as fadas, encanta a chuva na madrugada, acompanha os ébrios nos dormentes e se mistura à solidão nas calçadas.

27 de março de 2011

ENAMORADA




 





Quando em uma mulher
Um grande amor se inicia
Seu coração se transforma
Em lindo buquê de rosas,
Caixinha de bombons,
Livro de poesia.
Seu dia é como brisa fresca na relva
Passarinhos à cantar.
Chega a noite,
Chama de Velas prá celebrar.
Quando perde esse grande amor
Seu coração entristece,
Os bombons derretem,
As rosas vão murchar,
Só restará a poesia,
Simples forma,
Doce disfarce prá chorar.
LOURDINHA VILELA.

26 de março de 2011

Bom dia

 Olhem essas imagens eu fiz na casa da minha mãe, ela está bem velhinha mas as suas plantas parecem renascer a cada dia.








25 de março de 2011

LAMENTO

No farol ofereci arte
Joguei meu sorriso,
Estendi-lhe a mão.
Você baixou o olhar,
 Atirou-me moedas,
E ali fiquei no chão.

No supermercado
Conduzi seu carrinho,
Joguei meu sorriso,
Estendi-lhe a mão.
Você baixou o olhar,
Atirou-me moedas,
E ali fiquei no chão.

No estacionamento
Lavei seu carro,
Joguei meu sorriso,
Estendi-lhe a mão.
Você baixou o olhar,
Atirou-me moedas,
E ali fiquei no chão.

Na tarde cinzenta,
Presa às ferragens,
Seu olhar me olhou,
Joguei meu sorriso,
Estendi-lhe...

E ali ficou no chão
.
por Lourdinha Vilela

  

19 de março de 2011

O ESPELHO



Hoje estive pensando, sentada em frente ao  espelho, o quanto ele tem participado de nossas vidas.
Você já parou pra pensar nisso? Tenho certeza que não; mas veja: Enquanto criança vivia sempre às voltas com um espelho na mão, não por vaidade, apenas por estar, por brincadeiras etc. Gostava de percorrer os corredores da casa com um espelho refletindo o teto, dava uma sensação de medo, parecia estar flutuando de cabeça para baixo, ainda mais na casa de  minha avó, com aquelas telhas coloniais antigas e escuras sem nenhuma espécie de forro. Era legal, quando passava sob as portas. Sentia muito medo.
Quando chega a adolescência, aí é que não nos desgrudamos de um espelho mesmo. Quantas vezes ele nos viu sorrir ou chorar, descabeladas, felizes ou muito infelizes com nossa própria aparência, já que nessa faze da vida, para determinadas pessoas o que mais importa é a aparência.  Passamos horas diante dele, experimentando roupas, sapatos, bijuterias enfim tudo, o que possa preencher o vazio da nossa vaidade. Tudo normal, sem contar os exageros cometidos em nome dela como as anorexias, bulimias etc. Porém é claro que não vamos deixar de aproveitar essa faze mágica, e deixar que o tempo passe sem nos sentirmos como princesas, e atuarmos em um castelo encantado. Tudo faz parte de, estarmos inseridos em sociedade alem satisfazermos nosso próprio ego. Teremos que estar preparados, pois virá um dia, em que felicidade já não irá combinar tanto com espelhos; quando chegarmos lá pela terceira idade, ou “melhor idade” como se diz por aí para adoçar o nosso lado psicológico. Já estou me preparando. E se você também já chegou ou está chegando nessa faze, não se entristeça, e quando se encontrar diante de um espelho como estou agora e começar a contar os infinitos cabelos brancos, as pequenas rugas e tiver vontade de sair correndo atrás de uma clinica de beleza, com certeza irá recuperar uns quinze anos de sua aparência, porém não se esqueça de que toda essa trajetória só foi percorrida por que nosso coração pulsa no peito sinal de que nascendo, crescendo, envelhecendo significa estarmos vivos e estar vivo é o que realmente importa. Que tal agora, na altura do amadurecimento, nos transformar em espelho e refletirmos, calma, ternura, serenidade, sabedoria e muito  amor ao mundo que nos cerca!

Lourdinha Vilela

Tenham um bom fim de semana.

15 de março de 2011

S0L NASCENTE


Renda-se agora ao sorriso

Corra pras ruas, as calçadas estão molhadas,
Pise nas poças, deixe que água respingue, que molhe suas roupas,
Caminhe pelas praças, alimente os pombos,
Cuspa do viaduto, aperte as campainhas das casas,
Dance com os mendigos, isso, em cima dos bancos!
Estréie uma nova vida, ainda há tempo!

Veja agora,
Do alto desse prédio
Você não acredita mas vê:
Aonde vão parar nossas casas, nossos carros, escritórios,
ambições, paixões,desprezos, apegos, arquivos da memória.
O mar tão azul
Sonho de muitos. Distribui-se agora entre os carros, casas, prédios, e vem
Vem buscar tudo, e tudo agora é nada.
Medíocre colocar o futuro no progresso criado por nós mesmos.
Medíocre deixar de ser feliz e despreocupado para viver na apoteose do stress.
Procure suas botas de couro genuíno,
Sua calça jeans importada ou não,
Seus óculos, ou melhor sua máscara de oxigênio,
Meta-se na lama, salve as crianças, os velhos, mulheres e homens.
Espere por outro sol, aquele do nascente que com certeza virá
E secará suas lágrimas.

Lourdinha Vilela

9 de março de 2011

Achar que o mundo não tem um criador é o mesmo que afirmar que um dicionário é o resultado de uma explosão  numa tipografia.

Benjamim Franklin

Sim...

Sim, sei bem
Que nunca serei alguém.
Sei de sobra
Que nunca terei uma obra.
Sei, enfim,
Que nunca saberei de mim.
Sim, mas agora,
Enquanto dura esta hora,
Este luar, estes ramos,
Esta paz em que estamos,
Deixem-me crer
O que nunca poderei ser.


Fernando Pessoa

Mulher




Já é dia.
Com as pontas dos dedos
Ela desembaça a vidraça
Orvalho da noite fria.
Sorri quando vê violetas,margaridas
Corre, pro espelho,
Escova o cabelo
Recomeça a lida.
As vezes com beijos
As vezes sem.
Depois de servir o café
Se despede dos filhos
De seu amor também
E essa é apenas uma face
de seus inúmeros papéis,
As vezes se encontra´,
Sem filhos, sem amor
Sem ninguem.
No transito, apressada pra chegar ao trabalho
Nas fillas dos bancos, dos supermercados.
Ninfa, deusa ,sereia
Procura o batom
Jamais quer se sentir feia
O desafio: está por um fio
Antes do ônibus passar
Só falta chover, pra escova dançar
Olhos, caras e bocas
As vezes santa
As vezes louca
Se veste de médica
Professora,
cientista, enfermeira
Arquiteta, dona de  casa ou policial
Sentada à mesa
Encara a salada
Tudo normal.
E se acaso, essa mulher você encontrar
Doce, amiga, dedicada
Leoa,bruxa,cinderela
Sejas feliz ou infeliz!
Mas não fique sem ela.

Lourdinha Vilela 

2 de março de 2011

Agonia das Rosas




Suaves movimentos
Saboreando o sol
Rosa e botão
Namorando o vento

Rosa menina ..
-Eu plantei!
Do amor pelas rosas
Seu nome roubei

Sonho fecundo ao transformar
Amor em adubo
Da terra esperar
Presente oriundo

Agora o momento
Tormento, vontade
Rosa querendo
O fruto do amor ,rosa e botão
Impulso de crime...Paixão.
 
Rosa e tesoura
Tesoura e a rosa
Tesoura e botão
Rosa correndo
O presente na mão
Sangue verde
emoção.

O vento e a roseira
Como no adeus, solidão.

Na mesa da sala
Vaso em cristal
Água fria
Alimento final

Rosa contempla
Sem movimento
Sem brilho do sol
Namoro do vento.

Dias de dor, ritual
Pétalas caindo
botões ambíguos
Terminal.

Rosa e a roseira
Sol e vento
Espera e momento
surge um botão
E da natureza o perdão.
Lourdinha Vilela

Intenção deste Blog

Expressar o que está impresso em meu DNA, em minha mente, em meu coração.
Sonhar, catalogar memórias, chegar e realizar.
Sejam bem vindos.