Poesia

A Poesia alcança as fadas, encanta a chuva na madrugada, acompanha os ébrios nos dormentes e se mistura à solidão nas calçadas.

21 de novembro de 2016



O meu olhar atento
segue e cerca passarinhos,
para que eu possa
aprender deles,
bem de pertinho,
voos  de  liberdade.

Lourdinha Vilela.



26 de setembro de 2016


Imagem da Internet.


Recruto os meus sentidos.
Todos estão a postos,
E o meu olhar tão claro e amigo
revela de mim sentimentos quase expostos.

A primavera  é quem  surge,  
 agora, sem sombras, na delicada manhã,
meu olhar  sedento  urge
flor de romã.

Uma prece oportuna,
com a vida me reconcilia.
Ah! meu olhar de sonhos
de flores  e poesia.


Queridos amigos(as)  estou de volta, cheia de saudades!!!
Aos poucos quero retomar, resgatar  amizades que sempre me trouxeram  muitas alegrias.
Dois longos meses de espera  a contar de duas cirurgias e a confecção de novas lentes que me deixaram aptas pra leitura e escrita.  Peço desculpas pela ausência.  
Um grande abraço.

 foto Lu.

Uma Feliz Primavera !!!













5 de junho de 2016

Mundo infantil - Entre belas e feras.

Aqueles sábados  eram muito aguardados.

   Os cheiros que vinham da cozinha, previamente anunciavam  os sabores  que certamente seriam bem diferentes das refeições  cotidianas.  Um casal bem vestido e de óculos escuros eram nossos convidados de sábado,  e já estavam chegando - meus tios, os convidados de sempre.
  Naquele sábado em especial   comemorávamos  o meu aniversário e o meu presente seria o cumprimento de uma promessa  de me levarem  ao cinema recém inaugurado,para   assistir o filme “ A Bela Adormecida no Bosque”. (na produção da Disney) Eu estava  eufórica , na escola não se comentava outra coisa  e para uma menina de nove anos que não conhecia  o  cinema, era  algo mágico
.
Horas depois do almoço...
 A sessão “ matinê”, termo muito usado na época, começaria as dezesseis horas.   Minha mãe trouxe- me  o melhor vestido. (naquelas épocas as mães escolhiam a roupa dos filhos e os ajudavam a se vestir). Com os cabelos esticados ao máximo para o alto da cabeça e feito um rabo de cavalo, sentia  veiazinhas  azuis se manifestando  levemente em minha testa, mas eu ficava calada, teria que suportar tudo  por uma boa causa. Estava  pronta para o passeio ao cinema. Meus irmãos também aguardavam  ao meu lado, com seus risinhos e brincadeiras  , bem comuns da idade,   parecíamos passarinhos nos fios,embora sentados no banco comprido de madeira na varanda,  alguns jogando as pernas para frente e para trás já que não alcançavam o chão.
 Estávamos todos ansiosos, mas a hora parecia não passar. Dentro da casa, mais um cafezinho era servido entre conversas intermináveis e gargalhadas  - Será que não entendiam a nossa pressa?

Chegamos ao cinema!
  Minha alegria  era total, logo senti a  boca secar. De tanta emoção, dispensei o pacote com pipocas, meu coração de menina parecia crescer dentro do meu peito,  e uma sensação de calor e frio me invadiu, tremia literalmente.  O ambiente gigantesco  com  centenas de poltronas à nossa espera e escolha, e aquela tela imensa,  tinham  um sabor de encantamento
O filme acabara de começar  e apesar de ser um desenho eu sentia os seus personagens como pessoas de verdade e um sentimento de  pequenez  subtraiu-me  de mim mesma , eu era apenas um grão  de areia num mar de sonhos e fantasias  que durante anos depois me fizeram desejar  ver  e sentir a mesma emoção numa reprise.
 Tudo era tão lindo... Os cabelos dourados da princesa Aurora ao vento  enquanto dançava com o príncipe Felipe-  Eu  não tinha idade para me sentir apaixonada por ele  mas o via como o  herói que iria destruir a bruxa Malévola.  As fadinhas  pequeninas e sábias, pude comparar com umas tias baixinhas que tenho e  que calçam “33”  e   ao jeito  delas, carinhoso e protetor. Tudo ganhava vulto  de grande felicidade e realização.

A bruxa.
  -Essa sim  me fez pela primeira vez sentir medo , era o lado ruim do filme,  e a sua gargalhada era  diferente daquelas gargalhadas que ouvi  enquanto aguardava  meus tios. Traziam algo de muito ruim e eu me perguntava - Se eram  apenas  risadas, por que então eram  diferentes -   separadas como  céu e abismo- enquanto eu tremia quando Malévola se manifestava invadindo salões,  isso sem falar do  seu plano  assustador. Na verdade passei a conhecer sentimentos que antes não conhecia,  o  egoísmo a inveja e ódio característicos da bruxa.
 Mais tarde porém,  no final do filme,  descobri  que o bem sempre vence o mal.

  Ao chegar em casa,  antes de comentar com meus pais sobre o filme, fui até uma escrivaninha na sala, peguei lápis, tinta preta  e comecei a desenhar a bruxa,  buscando na memória  alguns detalhes , mas  a cor preta  era predominante e marcante.(O mais curioso é que já possuía o álbum de figurinhas e esse não me causava nenhuma sombra de medo antes do filme)

  Hoje   me pergunto por que desenhei a bruxa e não a princesa?  Talvez quisesse  derrotá-la  mais uma vez , colocando-a numa posição inferior  que pudesse dominá-la, tê-la em minhas próprias mãos e guardá-la em uma gaveta, como também fiz com o álbum.)  Assim  escondido, o medo passaria e ficariam somente  as  lembranças  doces,  com seus coloridos azuis e rosas, o verde dos campos,  o bailar dos vestidos das fadinhas e o da princesa, o belo príncipe e seu cavalo magnífico, as carinhas   meigas dos esquilos , da  coruja  e a trilha sonora  que jamais esqueci. - Coisas da imaginação infantil!
  As lembranças boas ficam para sempre. Apesar da bruxa,  essa é uma doce lembrança da minha infância somada  ao carinho e dedicação dos meus tios.

O desenho(original) 

  Eu o  guardo até hoje com carinho 

 .


Um pouco de cor  no computador.



 O medo Ficou preso para sempre  na gaveta  mas  posso abri-la,  pegar a bruxinha  desenhada  e  como fiz aos meus filhos e  à  minha neta, contar (ainda emocionada) a história da Bela Adormecida no Bosque.
imagem daqui
 http://disneyclub-gm.blogspot.com.br/2015/06/oh-my-disney-9-coisas-que-voce-nao.html


Lourdinha Vilela





7 de maio de 2016

Ostra



Imagem da Internet

Só você mãe

Que jeito de ostra tem
Suave molusco-músculo
O teu coração quando vem
E abre-se ao lodo que rejeitas
que te enodoa,
porém...
sem rancor
da dor que recebes
E que te magoa
surgem pérolas
de amor.
Oh! Mãe,
Que a seus filhos perdoa
Não viestes ao mar deste mundo
à toa.


Lourdinha Vilela

26 de abril de 2016

Descompasso




     Imagem da Internet.




                                                                     
Respiro um ar que sufoca
exprimo um ar de tonta
nessas horas tantas...
De que me entristeço,
de que males padeço,
que medo me espanca?
Não terminou a dança,
cresci no descompasso,
e ainda me sinto criança.
Não sei  que vento balança
no meu cabelo a trança,
Rapunzel!
na torre do céu,
distante
me alcance.

Lú Vilela

 Reeditando