Poesia

A Poesia alcança as fadas, encanta a chuva na madrugada, acompanha os ébrios nos dormentes e se mistura à solidão nas calçadas.

9 de janeiro de 2019


Bom dia!
LXIV


Abro meus olhos,
não tanto quanto antes,
quando no  abrigo
da minha infância.
Pálpebras  debruçam sobre  eles agora.
Um pouco apenas.
Na janela uma brisa aveludada
refresca meu rosto mutante.
Em um instante,
um movimento
faz tremer a cortina.
- É o Juca!
O cãozinho  da minha neta,
sinalizando seu agitado bom dia.
 -Me pegue no colo - Sorria!
- É o seu pedido.
E como não sorrir.
Já no colo, quer ver da janela
tudo que eu vejo
mas não como eu vejo.
Como será tudo o que um cãozinho vê,
sob a sua visão dicromática?
-As árvores  que cantam
canções de cigarras
e de passarinhos?
-As flores,  que conversam com as borboletas?
-O céu com formas e cores
esboçando presságios
de chuva ou de sol?
-Os humanos transitando
seus rostos ensolarados,
pensamentos ocultos
de pressa ou calmaria
dor ou alegria?
Não sei ao certo.
Porém nada irá suprimir
um Bom Dia.
E o dia hoje está claro!
O sol brilha e  me convida a passear
 e comemorar mais um aniversário.
Bora Juca!
Enquanto  meu coração acumula expectativas.


Obrigada,  meu bom Deus.





18 de dezembro de 2018

A árvore




Uma árvore é um cálice
 Do mais suave licor,
De onde verte o verde,
  Por vezes
 Esmaecida cor,
O amarelo também,
Quando o inverno  
Em sua borda,
 Cada folha transforma.
Uma árvore é uma canção!
No tilintar de suas folhas
Apropriadas pelo vento
Que levou seu perfume,
Folhas em profusão.
Vejo uma árvore tímida
À espera da Estação.
Irá colorir,
 Emocionar o mundo.
Há de ter um coração!
 Ao imaginar
O desenho irregular de seus galhos
cobertos de flores primaveris,
misturados à  desordem das nuvens,
Olho para o céu de sua copa
Amarelo, vermelho, rosa ou lilás,
Daqui de sua sombra eu sei
Que ainda posso sonhar
Com a paz.
Lourdinha Vilela





27 de novembro de 2018


                                                        
                                                             Imagem da Internet.

Na manhã fria 
é dezembro!
O verso nas asas de um Bem-te-vi
fala de ti
quando voas em teus sonhos
para junto de mim,
eterno sonho
de sermos para sempre
um só.
E a tua mão colada à  minha mão,
num elo de paz
agora é um nó.

Lourdinha Vilela 



4 de novembro de 2018

Eu e o tempo



Tentei segurar o tempo,
as cordas ruíram,
 o tempo não parou.
Cordas de vento.
Num olhar de nuvens,
embaçada vidraça,
olhos desmaiados,
vida que segue  espelhada.
Projetos de mim
reluzem no espelho
conquistas e sonhos 
que ainda ponteio.
A juventude dobrando a esquina,
Um rastro de relva fresca,
é a busca constante.
Dentro,  saudade  gigantesca,
nessa minha casa
cultivando flores e amores
pela gente que segue,
como eu, entre rumores...
batidas mais calmas
dos nossos corações,
porque o tempo não para
enquanto não envelhecemos a alma.

Lourdinha Vilela
 04 de outubro de 20l8
  


















18 de outubro de 2018

Nuvem de cores

Eu,
torço e retorço
cansaço  e esforço
mais uma volta
ao mundo  dos tortos
sonhos  meus
Sem retorno
e tão morno
tropeço
nos nãos...
Caio no poço
da desilusão.
E a nuvem,
poeira do circo,
narcisismo súbito
 do meu  coração
se desfaz em cores
vestes de palhaço
 jogadas ao chão.

 Lourdinha Vilela