Poesia

A Poesia alcança as fadas, encanta a chuva na madrugada, acompanha os ébrios nos dormentes e se mistura à solidão nas calçadas.

24 de dezembro de 2016

Historinha para Boi dormir.




  Uma  menina conversava alegremente com  o pai, enquanto  esse procurava no livro em suas mãos alguma bela história de NATAL   para contar  para a filha.
O livro era bem antigo e tinha uma linguagem  um pouco ultrapassada,  e ele teria que substituir palavras para que ela pudesse entender.  Daí veio a vontade de perguntar a filha quais eram as palavras que por algum motivo ela gostasse mais.
A menina pensou  em  todas as palavras  que de uma certa forma mexiam   e  se torciam  dentro do seu coração por diversos significados , sentimentos, presença, lembrança, afetos mil e até por simplesmente gostar.
Enfim ela começou a falar ;
- As primeiras, talvez as menores de todas , porém uma imensidão
 - Mãe.
- Deus.
-Pas – sarinho –  
 Na terceira, a menina criou  um certo suspense até completar a palavra . O  pai com certeza  no instante em que  pronunciou  a primeira sílaba pensou  - Ela vai dizer , pai.  Até se decepcionar   quando a palavra  foi totalmente dita.
-Olhou –a  bastante surpreso , balançou a cabeça e pediu que continuasse .Daí veio uma chuva de palavras.
-Árvore, ,Orvalho, sol, Montanha, Lua, Luar, crespúsculo. – É crepúsculo- interrompeu o pai. – E continuou:- Rio, riacho, Céu, mar, estrela,  escola, pão, café, boneca, salgadinho, pipoca,sorvete, etc.
- Ah.- Disse ela-   Ia me esquecendo  de falar do Papai Noel.
Está bem filha. Disse-se lhe o pai, encantado com  a  simplicidade e inocência da menina, que parecia rabiscar   o chão com o próprio olhar.
-Um dia minha filha,   irá conhecer palavras e mais palavras que você não tem  ideia  da quantidade, da diversidade , do simbolismo. O mundo é feito de palavras e significados, e através delas, a gente se transforma em um imenso dicionário.   Algumas vezes elas poderão ser  doces, noutras poderão te ferir e magoar , noutras poderão te  emocinar, e te levar a querer conhecer mais e mais palavras.
- Porém... Estou um pouquinho só, triste com você!
- Por que papai - perguntou a garota
Você pronunciou tantas palavras, mas faltou uma.  - Pai!
- Ou será que você não gosta do seu pai, ou quem sabe você se esqueceu mesmo?
-Não papai . - disse a menina. Eu eu não me esqueci não e acabei de falar.
 -Papai Noel.
-Ou você pensa que eu já não sei quem ele é .
- Abraçou o pai  e disse – Ele é você papai.
 -Feliz Natal .

Lourdinha Vilela.




18 de dezembro de 2016

21 de novembro de 2016



O meu olhar atento
segue e cerca passarinhos,
para que eu possa
aprender deles,
bem de pertinho,
voos  de  liberdade.

Lourdinha Vilela.



26 de setembro de 2016


Imagem da Internet.


Recruto os meus sentidos.
Todos estão a postos,
E o meu olhar tão claro e amigo
revela de mim sentimentos quase expostos.

A primavera  é quem  surge,  
 agora, sem sombras, na delicada manhã,
meu olhar  sedento  urge
flor de romã.

Uma prece oportuna,
com a vida me reconcilia.
Ah! meu olhar de sonhos
de flores  e poesia.


Queridos amigos(as)  estou de volta, cheia de saudades!!!
Aos poucos quero retomar, resgatar  amizades que sempre me trouxeram  muitas alegrias.
Dois longos meses de espera  a contar de duas cirurgias e a confecção de novas lentes que me deixaram aptas pra leitura e escrita.  Peço desculpas pela ausência.  
Um grande abraço.

 foto Lu.

Uma Feliz Primavera !!!













5 de junho de 2016

Mundo infantil - Entre belas e feras.

Aqueles sábados  eram muito aguardados.

   Os cheiros que vinham da cozinha, previamente anunciavam  os sabores  que certamente seriam bem diferentes das refeições  cotidianas.  Um casal bem vestido e de óculos escuros eram nossos convidados de sábado,  e já estavam chegando - meus tios, os convidados de sempre.
  Naquele sábado em especial   comemorávamos  o meu aniversário e o meu presente seria o cumprimento de uma promessa  de me levarem  ao cinema recém inaugurado,para   assistir o filme “ A Bela Adormecida no Bosque”. (na produção da Disney) Eu estava  eufórica , na escola não se comentava outra coisa  e para uma menina de nove anos que não conhecia  o  cinema, era  algo mágico
.
Horas depois do almoço...
 A sessão “ matinê”, termo muito usado na época, começaria as dezesseis horas.   Minha mãe trouxe- me  o melhor vestido. (naquelas épocas as mães escolhiam a roupa dos filhos e os ajudavam a se vestir). Com os cabelos esticados ao máximo para o alto da cabeça e feito um rabo de cavalo, sentia  veiazinhas  azuis se manifestando  levemente em minha testa, mas eu ficava calada, teria que suportar tudo  por uma boa causa. Estava  pronta para o passeio ao cinema. Meus irmãos também aguardavam  ao meu lado, com seus risinhos e brincadeiras  , bem comuns da idade,   parecíamos passarinhos nos fios,embora sentados no banco comprido de madeira na varanda,  alguns jogando as pernas para frente e para trás já que não alcançavam o chão.
 Estávamos todos ansiosos, mas a hora parecia não passar. Dentro da casa, mais um cafezinho era servido entre conversas intermináveis e gargalhadas  - Será que não entendiam a nossa pressa?

Chegamos ao cinema!
  Minha alegria  era total, logo senti a  boca secar. De tanta emoção, dispensei o pacote com pipocas, meu coração de menina parecia crescer dentro do meu peito,  e uma sensação de calor e frio me invadiu, tremia literalmente.  O ambiente gigantesco  com  centenas de poltronas à nossa espera e escolha, e aquela tela imensa,  tinham  um sabor de encantamento
O filme acabara de começar  e apesar de ser um desenho eu sentia os seus personagens como pessoas de verdade e um sentimento de  pequenez  subtraiu-me  de mim mesma , eu era apenas um grão  de areia num mar de sonhos e fantasias  que durante anos depois me fizeram desejar  ver  e sentir a mesma emoção numa reprise.
 Tudo era tão lindo... Os cabelos dourados da princesa Aurora ao vento  enquanto dançava com o príncipe Felipe-  Eu  não tinha idade para me sentir apaixonada por ele  mas o via como o  herói que iria destruir a bruxa Malévola.  As fadinhas  pequeninas e sábias, pude comparar com umas tias baixinhas que tenho e  que calçam “33”  e   ao jeito  delas, carinhoso e protetor. Tudo ganhava vulto  de grande felicidade e realização.

A bruxa.
  -Essa sim  me fez pela primeira vez sentir medo , era o lado ruim do filme,  e a sua gargalhada era  diferente daquelas gargalhadas que ouvi  enquanto aguardava  meus tios. Traziam algo de muito ruim e eu me perguntava - Se eram  apenas  risadas, por que então eram  diferentes -   separadas como  céu e abismo- enquanto eu tremia quando Malévola se manifestava invadindo salões,  isso sem falar do  seu plano  assustador. Na verdade passei a conhecer sentimentos que antes não conhecia,  o  egoísmo a inveja e ódio característicos da bruxa.
 Mais tarde porém,  no final do filme,  descobri  que o bem sempre vence o mal.

  Ao chegar em casa,  antes de comentar com meus pais sobre o filme, fui até uma escrivaninha na sala, peguei lápis, tinta preta  e comecei a desenhar a bruxa,  buscando na memória  alguns detalhes , mas  a cor preta  era predominante e marcante.(O mais curioso é que já possuía o álbum de figurinhas e esse não me causava nenhuma sombra de medo antes do filme)

  Hoje   me pergunto por que desenhei a bruxa e não a princesa?  Talvez quisesse  derrotá-la  mais uma vez , colocando-a numa posição inferior  que pudesse dominá-la, tê-la em minhas próprias mãos e guardá-la em uma gaveta, como também fiz com o álbum.)  Assim  escondido, o medo passaria e ficariam somente  as  lembranças  doces,  com seus coloridos azuis e rosas, o verde dos campos,  o bailar dos vestidos das fadinhas e o da princesa, o belo príncipe e seu cavalo magnífico, as carinhas   meigas dos esquilos , da  coruja  e a trilha sonora  que jamais esqueci. - Coisas da imaginação infantil!
  As lembranças boas ficam para sempre. Apesar da bruxa,  essa é uma doce lembrança da minha infância somada  ao carinho e dedicação dos meus tios.

O desenho(original) 

  Eu o  guardo até hoje com carinho 

 .


Um pouco de cor  no computador.



 O medo Ficou preso para sempre  na gaveta  mas  posso abri-la,  pegar a bruxinha  desenhada  e  como fiz aos meus filhos e  à  minha neta, contar (ainda emocionada) a história da Bela Adormecida no Bosque.
imagem daqui
 http://disneyclub-gm.blogspot.com.br/2015/06/oh-my-disney-9-coisas-que-voce-nao.html


Lourdinha Vilela