Ela
trouxe as flores e as colocou no vaso
sobre a mesa do computador - gostava de enfeitar
o quarto.
Uma rajada de vento levou a
cortina para cima das flores enquanto escrevia. Fechou a janela quebrando um pouco os ruídos da rua. Ao fundo apenas a canção da” Katie”.
Escurecia aos poucos e logo ele entraria com dois cafés,
deixaria um perto dela, acariciaria seus
cabelos e o outro tomaria ele mesmo, recostado
às almofadas sobre a cama
do casal - Costumava fazer isso todas as tardes
Além da música,
ouvia-se o ruído frenético do teclado no computador de Bia, que por vezes enviava um olhar para o marido como um apelo ou um pedido de desculpas, mas que mesmo assim o encantava - Como resistir àquele olhar?- pensava ele. Apesar da meia idade, permanecia bela, traços marcantes nos detalhes dos olhos, grandes e claros, de um azul quase céu, quase mar e assim era "céu e mar", onde um dia se encontraram pela primeira vez. Uma beleza
singular, embora , muitas vezes ela dizia ser ele o único ainda a admirar. Permanecia emocionado sem
contudo tirar sua atenção, protegendo o
clima mágico e necessário para a conclusão do seu livro.
Cochilava... Muitas vezes ele sentia
falta de um abraço, mas sabia esperar.
A sabedoria e o respeito por certo
compunham a base do grande
amor que sentia.
Depois de algumas horas, ela também exausta, deixando por terminar algum capítulo, fechava o computador sonolenta, para tornar-se a protagonista de um romance pleno," do livro que a vida escrevia".
Lourdinha Vilela
Katie Melua
Agradeço a minha neta Bia por digitar(Enquanto aguardo a cirurgia )
Não consigo encontrar o" travessão " no meu PC.
5 de março de 2016
Imagem da Internet.
Ao cansaço do dia
Misturei meus versos
Embalou-me
A poesia
Lourdinha Vilela
reeditando
23 de fevereiro de 2016
Imagem da Internet
Há um resgate em cada olhar
Um ponto de luz ou sombra,
Uma palavra reprisada na voz,
De vez em quando voltamos
Para ver novamente retalhos emendados.
Caminhos que seguimos e deixamos para trás,
Ainda estão por um fio presos a nós.