Poesia

A Poesia alcança as fadas, encanta a chuva na madrugada, acompanha os ébrios nos dormentes e se mistura à solidão nas calçadas.

22 de abril de 2015

A-mar

                                                                   Vladimir Volegov

 Gosto do seu olhar
expressando saudade,
 Navio
 sem porto
quer atracar.
Haja âncoras
para alcançar
Terra firme
 A praia
 Do meu a-mar

Lourdinha Vilela

 
Imagem da Internet.

Canção 

Preserve o meu amor por ti
Ele é fonte singular de ternura
Que enobrece o teu viver,
suaviza o lado  talvez tirano
da sua insensatez .
 Entregou a ti o próprio trono
e se deixou submeter aos teus caprichos.
Roga por ti nas tuas quedas.
É  como a chuva e o  sol sobre as plantas
que potencializam a floração,
logo se notam  os frutos.
Preserve o meu amor,
e em sua paz ouvirás
violinos e harpas.
Sonoro é o meu  amor,
Serei sua eterna canção.

Poética
Ao cansaço do dia
misturei meus versos
e me embalou a poesia.

Lourdinha Vilela

Imagem  Internet

 (Reeditando)Lourdinha Vilela
Imagem da Internet





14 de abril de 2015

Foto Lú
         

Meu coração deificado
Acredita que tudo pode
E se mete a sonhar
E cria asas
E se lança
 sem limites
No limiar dos sentimentos
E de lá despenca
E se encolhe,
E nada o acolhe
Se não a lágrima
no meu olhar.

Lourdinha Vilela

8 de abril de 2015


Do Paint- Lú Vilela


INTEIRO PARTIDO,
CORAÇÃO MAGOADO
 QUANDO ESTÁ,
PEDRA TRINCADA
 VESTÍGIOS
  CORRENTE, CORRENDO
VEIOS
ENVENENANDO VÍSCERAS
QUE ACOLHEM
EMOÇÕES.

Lourdinha Vilela


1 de abril de 2015

Ausências

Vladimir Volevog

Traço caminhos de volta

quando te vejo na trajetória

de planos passados.

Estás sempre lá...

 Complexo é conjugar

O verbo

 se não estás  presente,

como o  teu retrato  agora 

em minhas mãos está.

Estás sempre lá...

 No passado

Na história de teus pais,

Na tua própria história.

Ao mesmo tempo,

 és  presente,

e assim...

sempre  aqui estás.

 Não nasceu sol este,

que, se ao abrir a janela

 eu  não  vislumbrasse o seu rosto, filha

 nas flores  do nosso jardim.


                                                                Ausências formam imagens
                                                                         que são vistas apenas 
                                                                   pelo olhar de uma eterna saudade



Lourdinha Vilela

                                                  

                                                                    



                                                                            

 

25 de março de 2015

Sonhos perdidos

                                                                       Imagem da Internet



 Imponente, magistral ele se encontrava em frente uma das janelas.  Neste exato momento as cortinas pareciam dançar ao seu redor.

  Ao passar pela imensa sala da biblioteca eu o via.  Sem dúvidas ele exercia certo fascínio sobre mim. Quantas vezes entrei em busca de algum livro como desculpa para observá-lo de perto, encantada e curiosa, noutras, nos intervalos das aulas, ficava ali quieta apoiada ao portal da entrada com minha saia plissada e azul, dobrada na cintura, longe da inspetora, sim porque na entrada do colégio o comprimento das  saias  era fiscalizado atentamente por ela. A saia teria que ficar na altura da dobra dos joelhos, mas sempre dávamos um jeito de deixá-la mais curta, elegante e na moda. Bastava  o uso dos sapatos de marca muito conhecida na época,  luzindo de tanta graxa, item obrigatório no uniforme até mesmo para nós as meninas.  Eu o olhava longamente, impulsionada a dar alguns passos e ficar frente a frente com ele.   Seria maravilhoso, eu sabia que sim. Melhor ainda se pudesse tocar.   – Mas, e se chegasse alguém, o que aconteceria?  Que estranha paixão!  Os dias se passavam sem que eu tivesse coragem. 

Naquela tarde acontecia uma reunião entre diretores, professores e alunos, por conta da instalação das mesas de pingue-pongue que foram colocadas nas áreas de recreação do colégio. Essa iniciativa estava causando grandes problemas, visto que alguns alunos dispersavam-se das aulas, na verdade cabulavam aulas para não interromper o jogo, além das confusões em torno das partidas. Alguma coisa teria que mudar, muitos foram severamente punidos em detrimento das próprias notas mensais.   A tentativa da retirada das mesas causou grande polêmica.  Teriam que estabelecer novas regras para a permanência delas.

Num momento oportuno eu escapei como um peixe  do anzol.  Rapidamente alcancei o andar de cima.
Parei como o de sempre, na porta.  Ele continuava lá, Belo e altivo. Não podia crer que estivéssemos sós. Mais alguns passos e estava diante dele. Sentei-me à sua frente, mas meus pés ficaram pendurados. O banquinho estofado, de veludo era um pouco alto.  Estaria em mais vantagem se ficasse com os pés bem apoiados no piso, desci rapidamente.  Ele parecia sorrir para mim.
Lindos Dentes!

- Imaginei a cena: Agora eu trazia um Solitário no dedo médio sobre luvas, um vestido branco com bastante roda, ombreiras bem altas e um perfeito caimento sobre as minhas  meias delicadas e  brancas, sapatinho de tecido com pedrinhas, tudo igualzinho ao livro que li.

 Por falar em livros a minha única plateia era digna daquele momento e eu o dividi com Monteiro Lobato, Disney, Cecília Meireles, Machado de Assis, Cervantes e tantos mais, alguns grandes conhecidos e outros ainda não.
  
Levantei minhas mãos, como se aguardasse o Regente, abaixando-as em seguida no teclado. Suaves momentos ao deslizar meus pequenos dedos sobre ele, repleta de  encanto e felicidade.    Cada vez mais impulsionava minhas mãos que iam e voltavam, hora levemente, hora pesadas, buscando extrair ao máximo as notas que pareciam loucas  e que faziam soar muito alto  os  Mi- Dó- Ré- Lá- Fá-Sol –Dó,  Mi- Ré- Fá –Sol –Lá- Si- Mi, Dó- Mi- Ré- Si- Não sei  que notas eram, que canção sem ritmo, um amontoado de Dom, Dom , Dom , sei que me divertia muito  e mais uma vez,  Dó- Mi- Fá Ré  e  Lá ...Estavam eles, todos eles,  espremidos na porta:  A Diretora, o Vice, os Professores, Merendeiras, a Fiscal das saias. Pareciam   nervosos.  De repente parei. Não sabia se começava a sorrir ou chorar ou quem sabe saltasse pela janela e sumisse para que jamais fosse encontrada. O som frenético do piano deveria ter chegado rapidamente aos corredores, escadas e ao pátio.

Que culpa eu teria?  O piano magnífico foi colocado ali para as aulas de música desde o início do ano. Era uma promessa. Foi-nos apresentado com pompas, mas na verdade jamais tivemos acesso a ele e apenas nos traziam flautas das quais mesmo que fossem mágicas eu  não conseguiria tirar delas uma notinha se quer. Eu não me interessava pelas aulas de flauta eu sonhava com as aulas de piano.

 Uma voz estridente e nervosa estourou bem perto dos meus ouvidos que já se encontravam muito atordoados.

- O Show acabou mocinha!- Logo você a mais tímida e educada das nossas alunas... O elogio de nada adiantou, me aplicaram quatro dias de suspensão.

 Acabou o Show e também  o sonho.


Lourdinha Vilela.

Do You Tub
Valentina Lisitsa.