Poesia

A Poesia alcança as fadas, encanta a chuva na madrugada, acompanha os ébrios nos dormentes e se mistura à solidão nas calçadas.

7 de maio de 2014

Mãe e pai



Por amor sou eu, de um ventre nascida.
Por amor sou eu, pois
 a cara do pai
e o jeito da mãe, esculpida
E o que me faltava
era a presença do pai
que  se foi,
cedo demais.

No tempo das longas distancias
por mim percorrida,
até alcançar os sonhos
da estrada escolhida,
minha mãe,
  foi um pai
 mas  não deixou de ser mãe.
Minha mãe!
que em seu regaço traz,
o pai e a mãe que me completam a vida
.
Minha mãe, minha paz!

Lourdinha Vilela


5 de maio de 2014

Lamento...


                                                   
                                                                     

No farol ofereci arte
Joguei meu sorriso,
Estendi-lhe a mão.
Você baixou o olhar,
 Atirou-me moedas,
E ali fiquei no chão.

No supermercado
Conduzi seu carrinho,
Joguei meu sorriso,
Estendi-lhe a mão.
Você baixou o olhar,
Atirou-me moedas,
E ali fiquei no chão.

No estacionamento
Lavei seu carro,
Joguei meu sorriso,
Estendi-lhe a mão.
Você baixou o olhar,
Atirou-me moedas,
E ali fiquei no chão.

Na tarde cinzenta,
Presa às ferragens,
Seu olhar me olhou,
Joguei meu sorriso,
Estendi-lhe...

E ali ficou no chão.
.
por Lourdinha Vilela

4 de maio de 2014

Viajando no passado





As férias são sempre mágicas, mais ainda na infância, onde não estava (naquela época dos anos 60), cercada de medos e traumas que poluem os pequenos de hoje.  Que eu me recorde, o lugar para onde viajava era quase sempre a casa da minha avó, em Minas Gerais. Para mim não existia lugar melhor, embora não tivesse acesso aos outros lugares maravilhosos; era a casa de avós, e todos sabemos como é bom.

Na estrada eu conferia tudo, cada morro, nuvem, rio, ponte, placas, pássaros, gado, etc., claro ainda não existia o celular,  que nos conecta ao mundo, mas que nos deixa em posição de oração, com o pescoço dobrado,cabeça baixa e assim chegamos à várias distâncias, mas perdemos o foco do que nos rodeia,  no caso, da paisagem soberba cortadas pelas estradas, dos assuntos gostosos,descontraídos, das músicas que cantamos embalados pelo movimento do carro, das piadas que nos fazem sorrir, e desligar um pouco.

Quando chegávamos, eu meus pais e irmãos era aquela festa, uma mesa gostosa com tudo que criança gosta. Bolo de fubá, pudim, pão de queijo quentinho, suco natural de frutas colhidas lá no pomar do meu avô, brevidade, o cheirinho do papel que envolvia os biscoitos por dentro da lata ou da caixa, o  leitinho,  pão de mel. - De dar água na boca. 

A gente nem se cansava, tomava banho por que era obrigado, mas queria mesmo correr para as árvores, subir nas mangueiras carregadas, ser o primeiro a matar saudade do balanço que ficava ali pendurado, só esperando  pela nossa chegada.- Meu avô nestas alturas já havia conferido as cordas para não arriscar uma queda.

Depois era aquele almoço, toalha branquinha, galinha caipira, couve, angú de fubá, feijão preto, arroz soltinho, jiló que eu não gostava e que agora adoro e bolinho de arroz ou mandioca. Tudo tão simples, e hoje sei por que não me esqueço daqueles sabores, tudo vinha carregado de carinho, alegria e paz.
Depois do jantar, batia um sono, dormíamos cedo, enquanto os adultos, ainda recebendo visitas dos tios, primos, parentes em geral, tomavam café e chá.
Antes de pegar no sono, os pensamentos buscavam as lembranças do dia, das brincadeiras, e da promessa feita de, no dia seguinte, pegar o ônibus passear pela cidade, e visitar outros parentes. Daí talvez sem nem perceber eu acabava de arrancar com as mãos toda bolha que se formava na parede da massa corrida já estourando. Era muito bom. No outro dia, o quarto se enchia de pó branco que dava trabalho na hora de limpar.
Outras brincadeiras que eu inventava era andar pela casa com um espelho na mão, e como o telhado era do tipo colonial ainda sem forro e escurecido pelo tempo e também pela fumaça do fogão à lenha, dava uma sensação de medo, como se fosse cair enquanto atravessava os caibros. Sensacional, embora depois sentisse enjoo.  Fazer balanço nas cortinas que separavam a copa da cozinha também era uma brincadeira predileta.  Depois ver o meu avô cortar a lenha. A testa pingando suor. Eta velhinho forte!  E ainda, eu praticamente pelava as roseiras plantadas por minha avó, que para mim era outra rosa, espalhava nos jarros da casa e o interessante é que ela jamais me chamou a atenção.  Parecia querer aproveitar ao máximo o prazer da nossa visita e nos dar muito carinho.
.
Não sei por que a saudade às vezes bate tão forte e passamos a recordar tantas coisas guardadas na memória, como se não quiséssemos que tudo se apagasse.
 Praticando o ato de relembrar, solidificamos os laços familiares, a ternura do encontro entre o passado e o presente que para mim é primordial e salutar.


 Aqui vou recordando até que novamente possa  voltar lá  à Terrinha dos meus avós  e caminhar  pelos caminhos da felicidade vivida.

Felicidade é saber reconhecer o que  faz a si próprio realmente feliz, sem ambicionar a felicidade que nos outros também os faz .


Um excelente domingo à todos.





                                                                  imagens da Internet

24 de abril de 2014

VIOLÃO

Nice Ventura


QUE PODER
TEM
UM VIOLÃO,
ACERCA DE SEU MESTRE
REVELAR
SEUS SEGREDOS
SUA PAIXÃO.

VERSOS
E
NOTAS
ECLODEM
 MELODIA.

FALA 
DE
AMORES
PASSADOS
PRESENTES.

 VEM O LUAR.
PRA ACOMPANHAR.
NOITES
QUENTES. 

NO AR
CHEIRO DE PÉTALA.

 CANÇÃO!
INTERSECÇÃO
DE UM VIOLÃO
E UM POETA.



Lourdinha Vilela


  

20 de abril de 2014

Momentos.

Imagem da Internet.



Sei dos sabores que adoçam essa manhã.
Braços abertos ,
interpreto nos parques
a dança dos pássaros.
Névoa densa!
Como a criança, absorvo,
doce algodão.
Não haveriam momentos assim
Se não houvesse um coração
Que bate por Ti.
Dentro dele, esperanças,
renovam -se, na Tua força,
buscam incessantemente
fagulhas de um sorriso,
e o  sol tímido doura as folhas
na pintura interior. 
Não haveriam momentos
dessa imensa paz
Se não houvesse um coração
Que bate por Ti.
O vento ensaia canções
contornando as árvores.
Observo novamente o voo das folhas
que se jogam ao chão.
Ciclo do outono,
 Perfume de chocolate nas mãos.
Nos cabelos  fios brancos,
demandam maturidade, reconhecimento ,
conciliação. 
Na imensidão do Universo,
estradas minúsculas
Alcançam objetivos
 e sonhos,
cada um ao seu tempo.
Trilha de formigas.
E agora...
Intenso sol do meio dia.
Não haveriam momentos assim
Se não houvesse um coração
Que bate por Ti e em  Ti
Senhor Jesus Cristo.

Lourdinha Vilela