Poesia

A Poesia alcança as fadas, encanta a chuva na madrugada, acompanha os ébrios nos dormentes e se mistura à solidão nas calçadas.

15 de novembro de 2013

Não


Tarde com chuva - Recados e Imagens para orkut, facebook, tumblr e hi5

Ela praticamente ordenou-lhe   que não   a procurasse, nem ao menos queria ouvir sua voz.  Era o fim de tantos finais.  Sentia-se  cansada. Voltou-se rapidamente soluçando, sem sequer ver  a lágrima que também molhava  o rosto dele. Entrou no carro e praticamente voou.

A noite chegou fria com a chuva que batia na vidraça. Ainda de roupão, ela folheava livros, revistas, beliscava uns petiscos, mudava o canal da TV insistentemente a cada minuto. Por vezes fixou o olhar no celular em cima de uma mesinha...E nada.

Lá pela madrugada o celular enfim a desperta. Ela que apenas cochilava, levanta-se  e segue atordoada em direção ao  aparelho, reconhece o número e o  deixa tocar várias vezes.
 - Que  insistisse.- Que sofresse!  Pensou. Seu sangue fervia...

Aproximou-se um pouco mais,  sentou-se ao lado da mesinha, cruzando e descruzando as pernas, suas mãos tremiam de ansiedade, pensou em atender e ao mesmo tempo não. Sempre diria um não. Esta seria a sua atitude de agora em diante. NÃO!  Não a si própria, não  àquele amor. 
Deixou que tocasse um pouco e mais um pouco...

 Foi a última chamada. Ficou mudo .O silêncio doía muito mais e a deixou com aquela dúvida infinita...
 Seria a saudade?

Lourdinha Vilela.

9 de novembro de 2013


Antes era  a pedra
 Gelo do inverno
Veio a poesia
  sol de verão
Derreteu o gelo
Nasceu o rio
Transbordou a emoção

Lourdinha Vilela.



6 de novembro de 2013

Olhares




Eu não sei escrever
Sei apenas o quanto gosto
o quanto a minha alma insiste, 
gera palavras,
função enigmática
sem preconceito,
sucumbindo a gramática,
quando estas parecem  nascer do meu olhar
e não da minha garganta,
que por vezes me espanta,
e as jogo no papel sem pensar.
Qualquer  situação, movimento ,
natureza, sentimento.
Lá estou eu a olhar, 
mais que sentir
Tudo a fluir
Junto letras,formo palavras pelo meu olhar.
Tudo depende do olhar ou da forma de  olhar,
Quando à olhar para dentro de mim!
Ou quando olhando o céu  vejo estrelas,
 ou não!
 Olhando o  menino correndo na rua.
Um aceno no portão.
 O lago  Paranoá,
 As cadeiras simetricamente dispostas
ao redor da mesa de jantar.
 O sofá na sala,
 E se o meu amor não está...
 Passarinhos, comendo alpiste.
 Olhar sereno de minha mãe,
  assegurado por  Deus  
em sua velhice.
Olhando as nuvens formando ETs.
 Na xícara o  café.
Uma imagem barroca,
Maria de Nazaré.
Olho o trânsito,
 O hospital,
 A roupa
 esquecida no varal.
Olho um colar sem brilhantes
Um livro de artes na estante
A força em muitos,
A fraqueza em tantos
As borboletas, quase não as vejo


 As flores, as que  mais desejo.
Tudo vive do primeiro olhar
 Tudo é viver a olhar,
Olhar é emoção
 Olhar um sorriso,
ou a lágrima  que não molhou o rosto
  inundou o coração.
Olhar alguém, e ver ninguém
 Olhar a cegueira de quem não sabe olhar,
ou prefere não olhar.   
Olhar meu filho,
ouvindo
 Nirvana,
 O Adágio de Beethoven 
Em Sonata ao luar.
 E tão breve assim
olho pra mim
que só quero olhar    
a noite vazia,
 pra fazer poesia
e a rima 
de  nascer o dia.
E novamente encontrar
O orvalho na janela
Embaçando o meu olhar

imagem da Internet


 Lourdinha Vilela
Re postagem




5 de novembro de 2013

Medos, meus medos.


imagem da internet


Não tenho medo de bruxas.
Não tenho medo das sombras
Que da luz se faz.
Tenho medo da rotina
Que com o amor não combina.
Tenho medo de lendas,
Tenho medo de cerveja
se por ela você me deixa.
Tenho medo de insetos
viscosos, inquietos,
escondidos em fendas.
Tenho medo da inveja.
Tenho medo de ficar surda 
e não mais ouvir Rock n' Roll
Tenho medo de  me sentir só
quando só não estou.
Tenho medo, do medo, 
De esquecer  quem eu sou

Lourdinha Vilela