Ela praticamente
ordenou-lhe que não a
procurasse, nem ao menos queria ouvir sua voz.
Era o fim de tantos finais. Sentia-se cansada. Voltou-se rapidamente soluçando, sem
sequer ver a lágrima que também molhava o rosto
dele. Entrou no carro e praticamente voou.
A noite
chegou fria com a chuva que batia na vidraça. Ainda de roupão, ela folheava
livros, revistas, beliscava uns petiscos, mudava o canal da TV insistentemente
a cada minuto. Por vezes fixou o olhar no celular em cima de uma mesinha...E
nada.
Lá pela madrugada
o celular enfim a desperta. Ela que apenas cochilava, levanta-se e segue atordoada em direção ao aparelho, reconhece o número e o deixa tocar várias vezes.
- Que
insistisse.- Que sofresse! Pensou. Seu sangue fervia...
Aproximou-se
um pouco mais, sentou-se ao lado da
mesinha, cruzando e descruzando as pernas, suas mãos tremiam de ansiedade,
pensou em atender e ao mesmo tempo não. Sempre diria um não. Esta seria a sua atitude de agora em diante. NÃO! Não a si própria, não àquele amor.
Deixou que tocasse um
pouco e mais um pouco...
Foi a última chamada. Ficou mudo .O silêncio
doía muito mais e a deixou com aquela dúvida
infinita...
Seria a saudade?
Lourdinha Vilela.

