Eu não sei escrever
Sei apenas o quanto gosto
o quanto a minha alma insiste,
gera palavras,
função enigmática
sem preconceito,
sucumbindo a gramática,
quando estas parecem nascer do meu olhar
e não da minha garganta,
que por vezes me espanta,
e as jogo no papel sem pensar.
Qualquer situação, movimento ,
natureza, sentimento.
Lá estou eu a olhar,
mais que sentir
Tudo a fluir
Junto letras,formo palavras pelo meu olhar.
Tudo depende do olhar ou da forma de olhar,
Quando à olhar para dentro de mim!
Ou quando olhando o céu vejo estrelas,
ou não!
Olhando o menino correndo na rua.
Um aceno no portão.
O lago Paranoá,
As cadeiras simetricamente dispostas
ao redor da mesa de jantar.
O sofá na sala,
E se o meu amor não está...
Passarinhos, comendo alpiste.
Olhar sereno de minha mãe,
assegurado por Deus
em sua velhice.
Olhando as nuvens formando ETs.
Na xícara o café.
Uma imagem barroca,
Maria de Nazaré.
Olho o trânsito,
O hospital,
A roupa
esquecida no varal.
esquecida no varal.
Olho um colar sem brilhantes
Um livro de artes na estante
A força em muitos,
A fraqueza em tantos
As borboletas, quase não as vejo
Tudo vive do primeiro olhar
Tudo é viver a olhar,
Olhar é emoção
Olhar um sorriso,
ou a lágrima que não molhou o rosto
inundou o coração.
Olhar alguém, e ver ninguém
Olhar a cegueira de quem não sabe olhar,
ou prefere não olhar.
Olhar meu filho,
ouvindo
Nirvana,
ouvindo
Nirvana,
O Adágio de Beethoven
Em Sonata ao luar.
Em Sonata ao luar.
E tão breve assim
olho pra mim
olho pra mim
que só quero olhar
a noite vazia,
pra fazer poesia
e a rima
de nascer o dia.
E novamente encontrar
O orvalho na janela
Embaçando o meu olhar
Lourdinha Vilela
Re postagem



