17 de outubro de 2013
Descaso
Não cultivo a tristeza,
ela é quem me quer cultivar.
Sou pétala frágil
me desmancho no ar
Passo a passo
Sigo seus passos
pra descansar
no seu abraço
O que fazer neste espaço,
entre a procura e o descaso,
se vives a me desprezar?
Vem então a tristeza, o meu coração, ocupar
Lourdinha Vilela
15 de outubro de 2013
Como o vento
Na euforia do vento,
atrevo-me- transcender.
Quero juntar-me ao som
ao movimento,
quando envereda
túneis e alamedas
por entre a mata ciliar.
Soar, ressoar
Somado ao rumor do rio.
Transportar folhas,
flores e cores,
sementes,
à terra úmida
à esperar
Lourdinha Vilela.
foto Lu
foto Lu
12 de outubro de 2013
10 de outubro de 2013
Vícios
Imagem do Google
Naquele
dia porém, os filhos aguardavam Fábio para participar da festa do Dia dos Pais.
Eles estavam ansiosos para que chegasse o domingo. Era uma festa muito bonita que
acontecia todos os anos no colégio, mas pelo horário de sua chegada, sabiam que
não daria mais tempo.
Nova trégua, na batalha entre o rancor e o amor.
Lourdinha Vilela
A
mesa estava posta. Os dois filhos aguardavam,inquietos, enquanto a mãe, ia e voltava
da copa para a janela da sala que dava para a rua.
Clara achou melhor, que não esperassem mais
pelo pai.
Sempre acontecia assim aos domingos. Aquela mesa arrumada com muito carinho, toalha
branca, travessas, flores, tudo o que de
melhor uma mulher é capaz de fazer para
agradar seus filhos e seu marido. Porém uma expectativa que sempre frustrava aquela linda mulher .
Almoçaram
silenciosos.
Clara
serviu a sobremesa. Um sabor amargo, não deixou que ela a saboreasse com
gosto. De Vez em quando, os meninos viam
lágrimas no rosto da mãe. Foram para a
sala de TV.
Após
algum tempo, ouviram a freada brusca do
carro do pai que voltava sabe-se lá de onde, mas com certeza de algum bar. Por mais que a situação se repetisse, a
família não se acostumava, e era sempre motivo para sentirem o coração
apertado, como se algo faltasse para preenche-los de vida.
Clara
era uma mulher recatada e acreditava que um dia aquela situação
pudesse reverter-se e muitas vezes calava-se para não tornar o ambiente desagradável aos filhos,
mesmo quando Fábio, seu marido, sem
motivo algum, a não ser pelo pior deles, o de estar embriagado, criasse um
conflito, algo que ela mais temia. Assim o tratava como se nada tivesse
acontecido, amparando-o, escutando suas
repetidas conversas, palavrões, risos e até choro. Uma transformação de água
para vinho, que nesses momentos ela preferia engolir e sufocar. Logo ele caia em sono profundo e acordava outro homem, o mesmo por quem se apaixonara.
Mais uma decepção, e as carinhas de tristeza
cortava o coração da mãe. Há muito não
se divertiam juntos. Deixaram de
comparecer em vários compromissos, entre
eles, festas de aniversário, datas de
comemorações religiosas e escolares de grande importância e quando compareciam, eram acompanhados apenas pela
mãe.
Na sala as crianças assistiam à um filme. Fábio
entrou sem sequer cumprimentar os filhos. Mudou o canal de forma brutal.
O mais velho resmungou :
O mais velho resmungou :
–
Poxa pai, estava no final do filme!
E
o mais novo teve a infeliz ideia de dizer:
-É
pai já estava no epilógo.
Fábio
voltou-se para os filhos, furioso.
-Por que acham que eu vou perder o futebol, para
que vocês assistam a um filminho qualquer? - Além do mais, o que estão fazendo na escola, que eu pago tão caro, e não
aprendem a falar.- Não é epilógo é epílogo. Epílogo, entenderam?!
Os
meninos se encolheram assustados com a atitude do pai. Clara veio da sala ,
correndo e encontrou o marido furioso, esbravejando, gesticulando, para cima
dos filhos...
Foi a gota d´água. Seguro-o pelos braços, e
uma forte discussão começou entre os dois.
-Não
toque nos meus filhos. Disse ela ao
marido, colocando toda sua força na voz e nos braços. Desabafando sua
mágoa, falou de suas decepções, de sua carência, enfim de tudo o que perderam
juntos, em nome daquele vício que estava ganhando campo, comprometendo a
felicidade da família.
Caminharam
para o quarto do casal, ainda em discussão. Em determinado ponto, Fábio, atirou
o copo que até ali não largara, contra o espelho do armário. Calaram-se finalmente. Um silêncio doído, evocando outros sentimentos. Ele entrou no chuveiro. Pela primeira vez a mulher ousou desafiá-lo.
Clara olhou o espelho trincado.
Momentos
depois ela o observava, jogado na cama,
o braço estendido em direção ao chão, e como sentisse uma enorme pena, ajeitou-o para cima
da cama. Era um homem bonito apesar da idade. Sentia que ainda o amava muito e
sabia do amor dele por ela. Não
entendia, tanto sonho jogado fora. Antes era tudo diferente, eram um
casal perfeito. Sentia agora na face as lágrimas de medo, incerteza e de saudade.
Amanheceu.
O
sol vencia as cortinas e penetrava sutilmente no quarto, trazendo a claridade.
Pardais em bando, entoavam uma canção frenética, saudando a manhã.
O
espelho refletia como um mosaico a imagem do casal abraçado.
Nova trégua, na batalha entre o rancor e o amor.
Lourdinha Vilela
3 de outubro de 2013
Braços
Quando me vi, roubada de mim,
apagou-se o tom rubro na minha face,
quebrou-se as asas do meu pássaro azul- sonho,
espargiu-se meu vinho
meu mel.
Pelo chão jogadas,
-as taças.
Minha boca fechada,
apagou um sorriso.
Meus braços porém,
multiplicados para não submergirem à dor.
quiseram abraçar o sol.
Acreditei!
Embora vazia,
poderia novamente
alcançar o céu.
Lourdinha Vilela
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