Poesia

A Poesia alcança as fadas, encanta a chuva na madrugada, acompanha os ébrios nos dormentes e se mistura à solidão nas calçadas.

22 de agosto de 2013

Flores que renascem.

Hoje trago umas fotos que fiz no Sítio.  Fico deslumbrada, encantada, com o que vejo no Cerrado. A menor florzinha, ou folhagem me chama atenção. Deveria ter feito Botânica, para conhecer mais profundamente cada espécie. É sério, chega a ser compulsivo, adoro fotografá-las, não só pela fotografia em si , que também me traz grande prazer, mas pela diversidade. Na época da chuva esta planta, apresenta uma grande quantidade de folhas na cor verde escuro, mas só vão florir entre julho e setembro, quando perderam  todas as folhas e a estiagem é predominante. Quanto mais seco o solo, quanto mais sol, mais flores. E são tão lindas...
- Alguém conhece esta planta  e sabe dizer qual  o seu nome?  Estou super curiosa.





À  seguir, estas outras,
 nasceram entre o cascalho, após uma grande queimada.








São minúsculas, mas super resistentes, com suas raízes profundas.



Para sempre,  sonhar.

Muitas vezes nosso coração fica  assim
 Como um campo queimado e sem vida
Sem  amor, nem guarida.
Parece ser o fim.
É muitas vezes um processo de aprendizado
Pelo qual temos que passar
Para dar sentido à própria vida
E voltarmos à sonhar.
O que seria da vida sem  os sonhos
sem a doce ilusão.
 Se  o sonho tudo renova,
Crescem flores no coração.

Lourdinha Vilela

Amo tudo isto.

Beijos e até a próxima.


10 de agosto de 2013

Pai - Pintura Interior

Imagem - Bruno Amadio- Italiano
Conhecido pelo pseudônimo- Giovanni Brangolin



                                                                 

Sabe pai...

Aquele dia...
O dia da sua ausência eterna
“material”

Daquele dia...
até hoje, escuto os   rumores
e estão tão gritantes dentro de mim,
que ainda ferem os meus tímpanos,
como o estouro de uma manada de búfalos
abespinhada,
-morro abaixo,

e só silencia quando encontra o lago,
o lago das minhas lágrimas órfãs.






Ame seu pai
Mesmo que ele seja tão jovem
 Que se perca ainda nos devaneios da idade
Que  muito tenha falhado
E não sabe, de ser  um pai,  o significado
Ou que tenha muitas reservas
 e não acompanhe as mudanças da tecnologia,
E pareça alienado
Ou que seja tão velhinho
e não conclua uma única frase.
Que tenha perdido a cognição.
Que já não possa caminhar ao seu lado pela cidade
E não reconheça a beleza da sua amizade
Mas que tenha batendo no peito
O coração...

Ame seu pai!
Feliz dia dos Pai


Por Lourdinha Vilela
(em Memória)
Repostando
por que permanece  assim


8 de agosto de 2013

Liberdade

                                                                   Imagem Internet.



Longe das cercas
Amarras que prendem sonhos
Ave leve,
leve voo do reencontro
Tocar novamente os vales do céu
O céu no chão da liberdade


Lourdinha Vilela

5 de agosto de 2013

Promessa de flores.


                                                                 
Imagem Mara Cruz




     Sempre pelas manhãs, Maria, colhia flores  para colocar nos vasinhos frente à Imagem da virgem  do Perpétuo Socorro. A devoção  ela havia adquirido através de uma promessa, feita pela mãe quando  no momento de dar à luz, pediu à Virgem,  na sua aflição pelo difícil parto, para que sobrevivesse  e salvasse a  filha e em promessa, a mesma teria o seu nome, e manteria uma Capela com sua imagem,  lhe trazendo flores frescas pelas manhãs durantes todos os dias de sua vida.
     A menina Maria  crescia com muita saúde e vigor, e foi acompanhando a mãe em suas visitas à pequena Capelinha construída com pedras no fundo do quintal de sua casa.
     Era lindo vê-la com as mãozinhas repletas de margaridas, rosas, jasmins, para trocar  pelas florzinhas  murchas, fazer orações, repetindo as palavras da mãe
    O cumprimento da promessa lhe trazia muita alegria, sentia-se protegida e de tanta devoção,tornou-se compulsiva.
    Maria tinha que encontrar flores. Não tinha mais sua mãe, mesmo assim não abandonou a promessa, e todas as manhãs saía em busca de flores.  Não era fácil ter tantas flores assim. No seu jardim as plantinhas já se sentiam  ameaçadas de tanta exploração.  Algumas acabaram por morrer. Maria,  ia até as casas que vendiam flores e comprava produtos para aumentar sua produção de rosas e flores diversas. Não tinha condições para comprar vasinhos com flores todos os dias, era melhor investir na terra do próprio quintal, mas isto levava tempo sem contar com o problema das estações.
     Ao que comentava toda a vizinhança, Maria já se tornara inconveniente, perturbando a todos  a procura de flores. Embora muitos se enternecessem com o motivo da moça, outros já  a chamavam de “A louca das flores”. E quando ela aparecia no portão, davam logo um jeito de se esquivar. Pobre Maria que agora estava com seus vinte anos passou a roubar as flores durante a noite.  Tudo isto lhe custou muitos transtornos, com a vizinhança que já a olhava de cara torcida, por mais que o motivo fosse  o de uma grande causa.
    Não se passou  um dia sem que  a  Capelinha  não recebesse as flores. 
    Maria casou-se teve filhos. Nunca soube ao certo,  o que pesava mais, o roubo das flores,  ou a fidelidade  no cumprimento da  promessa feita pela mãe. Até das praças públicas ela as retirava arrancando-as pela raiz, para  replantá-las no seu próprio quintal, aproveitando as flores para enfeitar a Capela. E assim de vez em quando teria as próprias flores.  Alguns aconselharam-na  a  procurar um padre, para que ele possivelmente, a libertasse desta promessa, que era uma promessa de sua mãe, etc., mesmo que lhe desse uma outra menos complicada. Mas ela permanecia radical.
    Os anos se passaram, ela ficou velha, teve netos  e bisnetos.  Se locomovia com dificuldade, carecia de muitos cuidados, mesmo  assim vinha de alguma forma cumprindo com a  promessa.
    Um belo dia  encontrava-se  no jardim florido. Com muita alegria contemplava as florzinhas brancas da cor dos seus cabelos. Não pensou duas vezes, abaixou-se com muita dificuldade e com  toda sua pequena força, lançou mão do galho mais florido e o arrancou pela raiz.  Logo apareceu sua neta que a observava à algum tempo. Quando notou sua presença, a  velhinha , meio sem graça se pôs a explicar , trazendo o assunto de sua própria história.
    - Oi moça  linda,  me perdoe, mas preciso das flores, elas estavam sobrando aqui no  jardim e eu preciso levá-las para a minha casa e entregá-las à Virgem do Perpétuo Socorro. Não se zangue não, exclamou com ar de sofrida.
    Sua neta, ainda pensativa e assustada,  com toda aquela cena,  a tomou pelo braço e disse:

    - Minha avozinha querida,  não percebes que estás em tua própria casa? Disse e em seguida a beijou na face.

Lourdinha Vilela

4 de agosto de 2013

Solidão acompanhada.








                                                            Roberto Chichorrro-Concerto para pássaro vermelho
                                                                             Acrílica s/tela




Não há sombras,
Luzes desfilam  cristais enfileirados,  
Submerges,
Se mergulhas tua solidão.
Crisântemos em vasos de barro
lado a lado,
emolduram muros,.
 Submerges
Se mergulhas tua solidão
 Quem entre tuas maõs
 trará à tona,desvendados,
os  teus segredos...
enquanto murmuras
 versos rebuscados
despertando  a canção,
Solos no teu violão
                                                                           


Lourdinha Vilela.