Poesia

A Poesia alcança as fadas, encanta a chuva na madrugada, acompanha os ébrios nos dormentes e se mistura à solidão nas calçadas.

17 de fevereiro de 2013

CREPÚSCULO





Há um tanto de mim neste céu,
Quando me douro de sonhos
Ao desenhar poemas
sob o adormecer do sol.

Lú Vilela


Fotografia Lú
Palmital- MG.



8 de fevereiro de 2013

A CRISTALEIRA

                                                                           

                                                                           
                                                                           
                                                                           



À minha mãe




Na cristaleira,
 guardiã de saudades,
Volto e revejo os cristais.
Tão antigos e tão novinhos,
taças de água e de vinho.
Mergulho no espelho, no fundo,
 no fundo...
não me vejo,
vejo o carinho,
 o espelho limpinho,
refletindo o zelo,
a boa vontade.
Tempo e mocidade, ali escritos.
O casalzinho do bolo
no copinho azul de licor,
Ainda juntinhos dançam, a dança do amor.
 E uma nota sozinha, ainda restou,
Da canção cristalina que o tempo
não quebrou.

Lú Vilela




4 de fevereiro de 2013

SÂNDALO










 Parecia sândalo. O perfume invadiu o corredor de paredes claras, desceu as escadas.  Como que puxado por um imã, ele o seguia.  O silêncio se rompia pelo barulho de saltos, cada vez mais próximo. Alcançou outro lance, tremia ao imaginar a provável presença do que o atraíra.  A expectativa formidável de desvendar o mistério criado por si próprio. Caça e caçador.  Apressou-se, queria saber, olhar, sentir mais de perto.  Agora já no saguão do prédio, muita gente se cruzando.  Algumas pessoas aguardavam em frente aos balcões, um frenético ruído de vozes, pessoas visivelmente apressadas como o de costume.  Outros perfumes se misturando no ar, mas aquele que lhe fez vibrar de curiosidade era inconfundível - Madeira - mantendo ainda suas “notas do coração”.  Num relance, seu olhar avistou a silhueta definida de uma jovem mulher saindo apressada pela porta principal do edifício.  Só poderia ser ela.  Correu até lá.  Rapidamente ela ganhou a rua e atravessou a avenida de mão dupla marginada de arbustos floridos.  Ainda na portaria ele observava um pouco decepcionado, quando a viu entrar em um carro e partir.  Com a cabeça baixa, pode perceber um papelzinho dobrado, jogado no chão. Mil idéias vieram em seu socorro - Seria um número de telefone, um endereço - talvez ela o quisesse atrair propositadamente ou quem sabe estaria ele ficando louco. Viajou no passado triste de muita saudade ao mesmo tempo tão presente agora visto a inquietude do seu coração. Caminhou um pouco, o sol infiltrando-se entre as árvores embaçou seus olhos enquanto abria o papel quase rasgando. Seu único desejo era que nele encontrasse alguma pista.  O delicado papel porem estava em branco, apenas impregnado com o  perfume  que lhe arrebatou a alma. 


por Lourdinha Vilela



Um perfume é resultado de uma mistura de muitas essências, são mais de 75. Por essa razão, ele é composto por notas, sejam notas de cabeça, notas de coração e notas de fundo. Essas notas são divididas em etapas de acordo com o tempo de evaporação de cada uma delas quando em contato com a pele.


Se quiser saber mais:
http://www.nemawashi.com.br/?pagina=info_coluna.php&coluna_id=11


Re-postando.



2 de fevereiro de 2013

Brilho no olhar




os teus olhos tecem estrelas
que você traz pra mim,
em pleno dia,
É sempre assim.

Os meus olhos então
transbordam   estrelas
que aos teus olhos
 devolvo sim.

E o nosso olhar
se inunda de um brilho...
no nosso amor
que não tem fim.

LúVilela



A imagem foi retirada da Internet


31 de janeiro de 2013

Flores do Cerrado.


Palmital - MG.  Abril 2012





A força da natureza me surpreende sempre nas flores do cerrado, vejam a delicadeza dessas flores que proporcionam alegria aos olhos de quem as encontrem. Sou apaixonada pelas espécies nativas do cerrado, tanto me fazem bem aos olhos como à alma.  Muitas vezes elas nos dão a impressão de serem apenas frágeis sobreviventes. Noutras tenho a sensação de que são a prova viva da força que vem de Deus. Sem ter  alguém para regá-las nas prolongadas secas, aguardam a primeira chuva e  despertam do seu adormecer  sob solo  ardente,   nos presenteando  com o seu colorido singular.












Fotografia Lú Vilela.

Re-postagem.