Poesia

A Poesia alcança as fadas, encanta a chuva na madrugada, acompanha os ébrios nos dormentes e se mistura à solidão nas calçadas.

20 de dezembro de 2012

Amor de verão




Tu vens como a onda
E se entrega
 à praia do meu amor
a  tua espera.
Dispersas-se
 desapareces  em segundos
E o teu beijo molhado deixa
 a certeza
de que em breve voltarás.

Lú Vilela.

19 de dezembro de 2012

Árvore-Mãe


O sol clareava com grande intensidade àquele dia.
 Brasília, céu aberto,
 quase zero de  poluição
 a não ser  pela poeira fininha,
imenso canteiro de obras
para a sua construção.
E aqui chegamos nós
Eu, meus pais,
meus irmãos.
Tempos de luta!
 Para nós, reconstrução.
Vindos do Rio de Janeiro,
para erguer uma cidade,
instalados em casa de madeira,
fomos chamados pioneiros.

 Pelo cerrado cercados
Fauna, flora, céu e chão.
Beleza exuberante
conquistando desde menina,
o meu poético coração.

 Recordo-me agora
O nosso primeiro natal
nesta cidade-semente de flor
flor nascente.
 Cidade Céu.
Não havia lojas, mercados,
grandes comércios,
Ou nada que saciasse
o meu sonho deslumbrante .
 Para uma pequena menina
O natal é algo encantado,
Aquele dos sonhos sonhantes

Então...
Minha mãe
lançando mãos
de sua providência materna
trouxe- nos  um pequeno arbusto
Com dezenas de galhos secos
tamanhos variados,
confesso que  nos deixou a todos
um pouco assustados.
Trouxe areia, água, cimento .
Dentro de um vaso ,
sob nossos olhos atentos,
 o galho foi colocado.

 Agora, um pacote de algodão,
 nas suas mãos
se rasgava
E o pequeno galho
aos poucos se transformava.
Ficou todo branquinho,
 e tudo  encantava.
Depois alguns enfeites
 que vieram de outro Natal.
Faltou o pisca-pisca
mas tínhamos dos vaga-lumes
A luz natural
Ficou linda nossa árvore,
com uma estrela no topo
tão diferente 
mas, pela nossa emoção,
 tão igual...
E minha mãe explicou:
-O algodão é para representar a neve
que cai em outros países,
e em alguns lugares do Brasil também.
- Quero conhecer estes lugares
E ela  falou:
-Peça ao Papai-Noel
E eu pedi, pedi...
será que ele vem?
Pedindo ainda estou
mas até hoje,
 o Papai Noel
Não chegou.

 Não vi outros países
sequer os estados aqui no Sul
nem sempre a gente consegue
tudo aquilo que a  gente pede.

Porém
Melhor, que todos os presentes,
é estar com minha mãe nos Natais.
É ver enfeitando seu rosto
os seu cabelo branquinho
como floco de neve
que em outros sonhos também cai.

Lú Vilela.

imgem da Internet.



Desejo à todos os meus amigos e amigas  um verdadeiro Natal, repleto de amor, paz. 

Feliz Natal. 












15 de dezembro de 2012

Ressaca



 Expectativas para o Natal
e o Ano Novo também
acelerando corações
para o milagre que vem.
Exagerando sempre na dose
Correria e consumo
para  saciar a ansiedade
os desejos apontam os rumos.
E como num passe de mágica
chega até nós,
a cura de todos os males
No pavê de chocolate,
O rejuvenescimento da pele
na mousse de maracujá,
limão ou abacate.
A volta de um grande amor
em várias  taças de vinho.
E se o amor não voltar?
Sozinhos não vamos ficar
Se até uva-passa
A solidão passará.
É final de ano, É ano Novo Também!
E se o nosso cartão de crédito
virou Papa Noel
caso  a gente  não pague
 As contas irão para o céu
Tudo é festa, tudo é brilho,
Tudo ilusão
A sensação de vencer obstáculos
de somar esperanças
Faz de nós
 ao menos nessas datas
pequenas grandes  crianças.
Porém,  se o sonho
  voou como um passarinho,
 e a realidade fere
como um feroz animal
esperamos mais um pouquinho,
 logo será carnaval..

Se ao final de tudo
Engordarmos muito
E isto acabar
 com a nossa  vã alegria
só nos restará
Correr na academia.



Muitas vezes esquecemos o Aniversariante.

Lú Vilela

.


Imagens da Internet..




10 de dezembro de 2012

PRECE


Minha prece
Pequenina flor
Que cresce
Chuva de pétala-lágrima
que o coração aquece
voltado ao céu
  a tudo em Ti
Agradece,
 primaveras , verões
outonos e invernos
pois em tudo
 o Teu amor
floresce.

Lú Vilela


As imagens foram retiradas da Internet


3 de dezembro de 2012

ÂNCORA



Se eu estivesse imune à saudade,
não teria este coração pesado,
 nem estes olhos molhados
  ou estas tantas inverdades
quando invento a felicidade.
 Voaria  novos horizontes,
 se meus braços fossem asas,
 eu seria um pássaro
e alcançaria
 a fonte da esperança.
Meus braços porém
são como âncoras
que permanecem  no cais
 das minhas lembranças.
 Neste mar,
que não  encontrei rumo
e nem rima,
 a saudade
 é que faz refrão,
na canção do sempre,
Nidificada em meu coração

Lú Vilela

Imagem da Internet