Poesia

A Poesia alcança as fadas, encanta a chuva na madrugada, acompanha os ébrios nos dormentes e se mistura à solidão nas calçadas.

11 de maio de 2012

OLHOS DO CORAÇÃO DE MÃE


Neste dia das mães,
gostaria de receber
de  presente:
“Óculos”
-De sol?
-Não
Uns bem diferentes,
Que tivessem lentes
De longo alcance
Com extra  poderes
Que me permitissem ver
onde e como
meus filhos se encontram.
Se ainda fossem crianças,
eu os protegeria das tomadas
dos inseticidas, dos desinfetantes
Dos  tombos e assombros
Que apenas mãe
Sabe o quanto doem. 
Sem contar os vírus,
bactérias, febres e
e tudo o mais.

Mas eles cresceram.
São jovens, e acham-se,
donos do mundo,
e o  querem abraçar.
A noite é traiçoeira!
Devo ficar em alerta
Pra depois não chorar.

Então, os óculos teriam
uma espécie de raio X,
e por dentro
do coração dos meus filhos
eu poderia olhar.
Sentir seus anseios,  angustias
seus medos,
e assim,
 melhor ajudar,
embora eles odeiem!
E querem, mesmo arriscando-se
O gosto de, o mundo experimentar.
A  liberdade pra viver
O direito de sonhar.

E como é impossível
Estes óculos ganhar
Venho pedir ao Senhor meu Deus
Que tem olhos
superiores ao meus
que salve os meus filhos
E jamais permita que eles sofram
Como sofreu o seu.


Lourdinha Vilela

9 de maio de 2012

Cidades.



Vejo cenários nas ruas. São crianças, com pezinhos descalços, jovens, velhos dispostos nas calçadas com expressões de lamento. Cenários escuros e silenciosos.
Muitas vezes nos sentimos assim também, abandonados, desconsolados, vazios e entorpecidos por algum sentimento de dor. Porem chegando à nossa casa tomamos um banho quente, ouvimos música, conversamos com alguém e tudo passa e muda. Nas ruas o cenário não muda e aquelas pessoas continuam lá. Fazem parte do ambiente, rodeadas por vitrines luxuosas.  Imagino a cidade como um corpo que tem alma. A parte externa está bem, protegida da chuva, do frio, do calor, mas a alma está triste, na sarjeta. Nossa cidade é um corpo, corpo e alma. Sua parte física são os prédios, casas, carros, somos nós que temos emprego, um teto, estabilidade e identidade. Sua alma são mendigos, drogados, transeuntes do infortúnio, jogados à própria sorte, figuras de um quadro onde a moldura é de ouro e a pintura está ruindo, se desgastou pelo sofrimento e intempéries. Precisa de restauração. Continuamente passamos e verificamos que a alma da cidade está triste, sem abrigo ou consolo, e apenas passamos, nos omitindo, com medo de nos aproximar um pouco mais dessa realidade e oferecer ajuda concreta. Somos espectadores e nos preocupamos mais com a moldura, afinal ela enriquece e valoriza a obra, mesmo que o tema seja esse, desolador e triste. Hoje porem, fiquei com medo de nada fazer, de perder o elo que me faz semelhante Àquele Restaurador Divino no qual acredito e acreditam essas pessoas, possa os cobrir com tinta nova.

Lourdinha Vilela

6 de maio de 2012


Paira sobre mim 
um constante risco
cada vez que te ausentas...
Posso me afogar
em lágrimas

Lourdinha Vilela

DENTRO DO LIVRO
PÉTALA SECA
RESQUICIO MATERIAL
 DO AMOR
DE OUTRORA
DENTRO DO PEITO
 AINDA
O AMOR
 ATEMPORAL
QUEIMA E ARDE
 AGORA.

Lourdinha Vilela


5 de maio de 2012

Lágrimas


Se é preciso chorar, chore
Mas, esconda suas lágrimas
Para não entregá-las
A quem lhe fez chorar,
No Inverno
As folhas caem uma a uma,
E são tantas!
 No entanto,
Jamais alguém se abaixou para contá-las.

Lourdinha Vilela
 Imagens Claudine Neto.