Poesia

A Poesia alcança as fadas, encanta a chuva na madrugada, acompanha os ébrios nos dormentes e se mistura à solidão nas calçadas.

26 de dezembro de 2011

RESSACA




Expectativas para o Natal
e o Ano Novo também
acelerando corações
para o milagre que vem.

Exagerando sempre na dose
Correria e consumo
para  saciar a ansiedade
os desejos apontam os rumos.

E como num passe de mágica
chega até nós,
a cura de todos os males
no pavê de chocolate,
O rejuvenescimento da pele
na mousse de maracujá,
limão ou abacate.

A volta de um grande amor
em várias  taças de vinho.
E se o amor não voltar?
não iremos ficar sozinhos
Se até a uva-passa
A solidão passará.

É final de ano, É ano Novo Também!

E se o nosso cartão de crédito
virou Papai Noel
caso  a gente  não pague
As contas irão para o céu

Tudo é festa, tudo é brilho,
Tudo ilusão
A sensação de vencer obstáculos
de somar esperanças
Faz de nós ao menos nessas datas
pequenas grandes  crianças.

Porém,  se o sonho
  voou como um passarinho,
 e a realidade fere
como um feroz animal
esperamos mais um pouquinho, 
logo será carnaval.

 Para não acabar de todo
com a nossa  vã alegria
o remédio agora é:
Correr na academia











(Muitas vezes no Natal o aniversariante é esquecido)

19 de dezembro de 2011

FELIZ NATAL




 Desejo a todos nesse Natal, que suas famílias estejam reunidas e entre si  verdadeiramente unidas, em  perfeita  paz. Que os pais protejam seus filhos, que os filhos protejam seus pais.

Que suas mesas sejam fartas. E que quando, farta, significar “Falta” tudo (linguagem regional) sejam socorridos pela nossa Pátria amada, pelos bons corações dos que possuem mais. Que possam experimentar o direito que têm a uma vida digna, sem frio e sem fome.

Que haja equilíbrio social monetário. (Utopia)?

Que as mães e trabalhadoras do lar sejam abençoadas, elas que direta ou indiretamente contribuem para que tudo aconteça, e nos fornecem a combustão diária para enfrentar os desafios diários na nossa vida.

Que os profissionais de saúde, principalmente médicos e enfermeiros encontrem melhores condições de trabalho, melhor remuneração e sejam verdadeiros doadores de si mesmos, sem negligenciar, somando ao seu trabalho uma mega dose de carinho para com os seus pacientes, e que esses, estejam bem acomodados em leitos limpos e não em corredores ou no chão dos hospitais e possam ao menos não sentir dor.

 Que os policiais de todas as categorias, onde quer que estejam, cumpram com seus papéis de defensores e,  sejam também protegidos  na sua integridade física. Assim como os bombeiros, que experimentam dia a dia o sofrimento alheio. Sejam eles policiais e bombeiros militares os nossos verdadeiros heróis.

Nas ruas os vendedores ambulantes encontrem um lugar ao sol, mas que o sol não lhes queime a cabeça. Estejam dispostos a cumprir com seus deveres de cidadãos.

 Aos trabalhadores da construção civil, a minha eterna admiração. Esses que com suas mãos vão tecendo nossas cidades, tijolo a tijolo, verdadeiros artesãos, dispostos em andaimes, nas alturas.  Braços fortes apesar da precária alimentação, construindo palácios e vivendo em casebres.  Possam eles como tantos outros possuir sua tão sonhada casa própria, e dar à suas famílias um pouco mais de conforto.

Aos trabalhadores do campo, o subsidio suficiente às suas necessidades para plantar e colher o pão e os grãos nossos de cada dia.

Aos religiosos, que suas preces retornem a si próprios, em dobro.

Às crianças desejo que sejam verdadeiramente crianças e os jovens verdadeiramente jovens, sem atropelar o tempo. Consigam vencer as drogas. Não sofram qualquer espécie de abuso ou violência, e que seus sonhos e suas vidas não sejam interrompidos subitamente. Que possam brincar, estudar, cantar dançar e serem felizes em suas escolhas.

Aos professores, seres mágicos e extensão dos pais de cada um dos filhos desse país, todo o meu carinho e apreço. Que a saúde lhe seja a dádiva maior de Deus, para que suportem o stress, e não desistam jamais da batalha na formação desses jovens.

Aos cientistas, que sejam iluminadas as suas mentes e que recebam os recursos necessários para a realização de suas pesquisas e projetos.

Aos políticos o meu olhar severo e vigilante, porém, cheio de esperança de que através deles muitos desses desejos sejam alcançados e realizados.

Enfim a todos os homens e mulheres, jovens, crianças e profissionais do meu Brasil, com os meus olhos elevados a Deus em oração peço proteção e paz, e que todos juntos, tenhamos um Feliz Natal.


.  
Quero agradecer à minha netinha Beatriz (12 anos de idade) pelo visual Natalino  do Blog. Um beijo prá você Bia linda.



                
Créditos: Gifsgifs Claudine Netto 

14 de dezembro de 2011

O ESPELHO


Hoje estive pensando, sentada na frente do espelho, o quanto ele esteve e está presente em nossas vidas.
Você já parou pra pensar nisso? Tenho certeza que não; mas veja: Enquanto criança vivia sempre às voltas com um espelho na mão, não por vaidade, apenas por estar inventando brincadeiras.  Gostava de percorrer os corredores da casa com um espelho refletindo o teto, dava uma sensação de medo, parecia estar flutuando de cabeça para baixo, ainda mais quando me encontrava na casa de minha avó, com aquelas telhas coloniais antigas, parecia que ia cair, ficava um pouco tonta, e acabava em gargalhadas.
Quando chega a adolescência, aí é que não nos desgrudamos de um espelho mesmo. Quantas vezes ele nos viu sorrir ou chorar descabeladas, felizes ou muito infelizes com nossa própria aparência, já que nessa idade, para determinadas pessoas o que mais importa é a aparência.  Passamos horas diante dele, experimentando roupas, sapatos, bijuterias enfim tudo, o que possa preencher nossa vaidade. Tudo normal, sem contar os exageros cometidos em nome dela, como as anorexias, bulimias etc. Porém é claro que não iríamos deixar de aproveitar essa fase mágica, e esperar que o tempo passasse sem nos sentirmos como princesas, e atuarmos em um castelo encantado. Tudo faz parte de estarmos inseridos em sociedade alem de satisfazermos nosso próprio ego.
 Teremos que estar preparados, pois um dia virá, em que felicidade já não irá combinar tanto com espelhos; quando chegarmos lá pela terceira idade, ou “melhor idade” como se diz por aí para adoçar o nosso lado psicológico. Já estou me preparando. E se você também já chegou ou está chegando nesse momento que também deverá ser encantador,se levarmos em conta o aprendizado, e a construção de uma vida, não se entristeça não e quando se encontrar diante de um espelho como estou agora e começar a contar os infinitos cabelos brancos, as pequenas rugas e tiver vontade de sair correndo atrás de uma clinica de beleza, com certeza irá recuperar uns quinze anos de sua aparência, porém não se esqueça de que toda essa trajetória só foi percorrida por que nosso coração pulsa no peito, sinal de que nascer crescer, envelhecer, significa estar vivos, e é  isto o que realmente importa.


Que tal agora ,na plenitude do amadurecimento, nos tornarmos espelho, e tentar refletir um pouco mais de paz, serenidade compreensão, carinho e sabedoria  ao mundo que nos cerca!

lourdinha Vilela

4 de dezembro de 2011

NA PAZ DA POESIA.

-


Ando encontrando espaços dentro de mim.
Estão lá guardando coisas, memórias e sonhos.
-Uma guerreira  encarando frente a frente
traumas adolescentes.
No  campo minado quer explodir agora.
Explosão do que feriu. Meu coração Escarlate.
-Há bálsamos com grande poder de cura
Um  declinar de sol se despedindo, vibrante porém,
aquecendo ainda. É o meu olhar maduro.
E misturando tudo...
-Suspiros  em sinfonia inspirando um norte  de essências,
prelúdio da doce inocência.
-Sou eu vestida de branco. Na paz da poesia.
Se pareço criança, que eu seja então sempre criança.
E que me embale os braços das ilusões.

Lourdinha Vilela



Imagem retirada da Internet

30 de novembro de 2011

DO CORAÇÃO.




O horário foi marcado há duas semanas, seria às 15 horas.
Aline retirou a folhinha do calendário, suspirou aliviada e apreçada,  teria que se arrumar. Entrou no chuveiro molhou os cabelos, deixou que a água penetrasse bem neles e esfriasse um pouco sua cabeça que parecia ferver. Movimentos rápidos aceleraram seu banho.
Escolheu o vestido do primeiro encontro, era de cor rosa bem suave, com  a saia evasê.  Entrou rapidamente nele, secou os cabelos, caprichou na maquiagem e diante de um grande espelho sentiu certa alegria, aquela que toda mulher satisfeita com a própria imagem sente..  Seus cabelos longos e pretos caiam sobre os ombros cobrindo um pouco o decote, os olhos amendoados castanhos escuros, o corpo apesar dos seus trinta e seis anos de idade era bem delineado e proporcional.  Apesar de toda sua beleza Aline sentia-se apenas um projeto de mulher. Talvez  ao fim de toda esta angústia voltasse a se sentir mais valorizada em sua autoestima.
Os sapatos teriam que ser baixos, não conseguia dirigir de saltos, mesmo assim levou um par para trocar ao descer do carro, queria estar elegante.
Antes de sair Aline olhou de relance para o final do corredor e viu a porta de um dos quartos de seu apartamento recém pintada na cor creme, ainda exalava um cheiro de tinta fresca, esboçou um sorriso, fechou a porta e seguiu até o carro.
Já no carro sentia seu coração bater apressadamente, ligou o som para tentar se descontrair um pouco. No CD do Ozzy Osbourne procurou a música Mama I´M Coming  Home.
O Trânsito fluía bem. Desejou encontrar todos os sinais abertos. Acelerava muito ao longo das avenidas sem se descuidar da sinalização. Nada poderia comprometer sua chegada. No centro  da cidade tudo  lhe parecia bonito, até mesmo os muros  pichados com aqueles desenhos agressivos . O dia estava claro e revelador.
Quanto mais se aproximava do seu encontro, sensações se sucediam em seu coração, momentos de tensão, calafrios, euforia, Seu rosto também recebia tudo isso com um rubor intenso. Parecia fogo adolescente.
O CD reiniciava.
Chegou ao local.  Manobrou o carro em direção a guarita do estacionamento, se esqueceu de retirar o cartão de entrada, engatou a ré e agora sim, retirou o cartão e entrou. Sentiu-se um pouco mais tranqüila e agradeceu a Deus por ter chegado bem. Em seguida desceu do carro trocou os sapatos, pegou sua bolsa e dirigiu-se a portaria do prédio. O Elevador chegou rápido e logo estaria diante da realização do seu maior sonho, nada lhe traria mais felicidade. Chegou ao andar indicado,  caminhou um pouco até uma das portas, abriu e entrou.
Lá estava ele, os olhos negros e úmidos, parecia ter saído do banho, um cheirinho maravilhoso. -Chorou, Aline chorou também lágrimas da mais pura alegria depois de tanto tempo de sofrimento, correrias, e dissabores. Agora seus corações eram acalentados. Tremendo um pouco Aline retirou a manta azul que o cobria, queria senti-lo mais perto do peito. Acariciou sua face rosada e olhou para o alto como em uma prece e agradeceu novamente a Deus.
Enfim se concretizou todo o processo de adoção. Augusto era o seu nome. Assinou alguns papéis para cumprir mais um pouco de burocracia, tudo agora era apenas felicidade.
Deixou que os profissionais se despedissem dele enciumada, não queria perder nem mais um minuto da sua presença, sua vontade era  sair dali correndo, tinha um medo  inexplicável de que algo acontecesse e a fizesse perder tudo o que havia conquistado. Sua frustração pelo fato de não poder dar à luz, fez de sua vida um mar de tristeza.  Recordou a primeira vez em que o viu,  prematuro, perdido dentro das roupinhas, enfrentando todo o desconforto daqueles aparelhos. Tudo aconteceu quando visitava uma amiga no hospital. Seguindo um instinto, a sua vontade era de passar no berçário também, adorava crianças.  Uma enfermeira lhe informou a situação do bebê. Soube logo que por vários motivos narrados, iria para adoção.  Sentiu-se envolvida e apaixonada por ele, queria lhe dar toda a proteção.  Começou daí uma luta demorada.
 Agora porem, tudo era passado.  Entre beijinhos e adeusinhos eloqüentes, saiu orgulhosa e feliz com seu amorzinho nos braços.

No  carro, o aconchegou dentro do Moisés, e com grande carinho beijou seus pezinhos de filho do coração.


Lourdinha Vilela




Imagem da Internet