Poesia

A Poesia alcança as fadas, encanta a chuva na madrugada, acompanha os ébrios nos dormentes e se mistura à solidão nas calçadas.

27 de novembro de 2011

Sinais de mãe.



Vibro e sigo
com uma britadeira no peito
É o meu coração dando sinais.
Eu escuto e sinto mas não vou parar a caminhada
dia e noite afora,
enquanto ele vibra, mais que pulsa.  
Apenas sei da batalha de mãe,
a mais difícil talvez
Para não  entregar  a Deus filhos imperfeitos
Se para mim, perfeitos, Deus os fez.

Lourdinha Vilela

19 de novembro de 2011

Teatro da vida.(Aos meus filhos)





Filhos são como estrelas e a cada dia atuam no espetáculo chamado vida. 
Ao lado deles, nós os pais, estaremos sempre! 

Durante grande parte do tempo no decorrer dessa carreira, encontramo-nos na condição de seus diretores , traçamos metas, revisamos os textos, influímos em seus contextos. Se acaso erram, oferecemos nova chance de regravar seus papéis. Empreendemos tudo que temos para que brilhem, alcancem o topo, e façam jus aos aplausos que acontecerão em forma de conquistas, sucesso e qualidade de vida. Não é fácil se tornar estrela. Na condição de contra-regras, facilitamos todo seu trabalho, amparando, oferecendo préstimos que contribuirão com seu crescimento - conselhos, proteção financeira, etc., principalmente oferecendo carinho e amor, fatores que terão grande influência psicológica na personalidade e desenvoltura de cada um particularmente. Até aí porem, eles se sentem como coadjuvantes e é certo não esquecer que estrelas têm luz própria e um dia teremos que deixá-los livres à procura de outras companhias, de espaços para a montagem de novos palcos  tornando-se atores principais conforme seus anseios. É inevitável que cresçam e escapem do nosso controle. Sendo assim meus filhos, pedimos ao Pai Celeste que os proteja e, mesmo que o brilho  seja ofuscado por algum insucesso ou infortúnio,  que se cerrem as cortinas e que aplausos deixem de soar, reascendam suas estrelas e olhem lá no fundo, seremos seus eternos espectadores, com mil flores para lhes entregar.





VÉSPERA


Não posso esperar agora
Se o esperar já não me espera
Estou contando as horas
Já contei muitas primaveras.
Esperar a chuva cair
Prá depois sair
Esperar esquentar prá não resfriar
Esperar o dia clarear
Esperar o sol se por
Esperar o ano que vem.
Tenho que ser urgente
Somente
Prá ainda poder
Tomar banho de chuva
Ficar elegante no inverno
Fazer poesia de madrugada
Ver as luzes da alvorada
E o ano que vem!
Que seja agora também
Vestida de festa
Que a hora é esta!

Lourdinha Vilela

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18 de novembro de 2011

HÁ UM TEMPO- FERNANDO PESSOA



Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.


Imagem /Net

Livro


A tarde se faz em cores cinza
A tempestade desaponta o domingo preguiçoso
envolto em lençóis de lã.
O livro guardado a mil chaves espera
que de seu leitor favorito,
lhe alcance as mãos quentes, lhe retire o pó,
e recomece a viajem por suas páginas primaveris
 de sol dourado e romances calientes

Lourdinha Vilela
Imagem-Net