Poesia

A Poesia alcança as fadas, encanta a chuva na madrugada, acompanha os ébrios nos dormentes e se mistura à solidão nas calçadas.

27 de agosto de 2011

SORRINDO



         Existem pessoas que não conseguem sorrir.
         São diversas as situações em que um sorriso poderia mudar o rumo de um dia chato. E por exemplo já tentou sorrir para a pessoa que te atendeu no caixa do supermercado, da padaria, na fila do banco, soltar-se e dizer um muito obrigado mesmo que a pessoa do outro lado esteja simplesmente cumprindo com a sua obrigação? Dizer Bom Dia cria expectativas.  A comunicação está cada vez mais difícil pessoalmente, e a comunicação virtual deixa sempre dúvidas. Até mesmo dentro de algumas famílias está acontecendo um distanciamento entre as pessoas. Cada uma delas, dentro do seu mundinho particular envolta em suas angústias, em seus problemas e medos, cria em torno de si uma armadura, e padece de enfermidades muito sérias como a depressão, famosa nos dias de hoje, provocada muitas vezes pela solidão, embora se esteja rodeado de pessoas, ou pelo stress outro vilão sorrateiro e voraz.  Esquecendo-se  de sorrir,  o dia se tornará mais cansativo e feio, visto que nosso rosto terá expressões amargas favorecendo o envelhecimento precoce e o efeito será de bate/volta. Cara feia X Cara feia.
          -Experimente sorrir.  Eu estou tentando, e estou adorando.
           -Se não conseguir dar o seu sorriso a alguém que esteja do seu lado em qualquer situação no dia a dia, então apenas empreste-o e você verá como é bom sorrir e receber de  volta lindos sorrisos em  parcelas acrescidas pelos juros de felicidade e de novas amizades. 
          -SORRIA!  VOCE ESTÁ SENDO INTIMADO.


Lourdinha Vilela

23 de agosto de 2011

SEM MOLDURA



A moldura de um quadro,
talvez ,
seja no que menos pensa o seu autor
O que procura é a perfeição
Esmera-se na construção de cada linha,
cada sombra, fazendo minuto a minuto
a troca de tintas e pincéis.
 E enquanto cria
amanhece o dia, segue à noitinha,
Não se cansa não.
 È como se viajasse,
debruçado em óleos, aquarelas ou pastéis,
entre o rosa e o salmão,
 verdes, vermelhos, amarelos e anis .
Natureza, corpos,
damas, cavalheiros, animais, olhos sutis
Lá se vão dias até que o possa concluir.
Quanto mais olha, mais parece ver.
São detalhes minuciosos
 traços do seu estilo,                       
até que em tudo o que criou possa crer.
 Respirando profundo,  
retira a proteção
e expõe sua tela
 esperando que outros assim como ele,
venham sonhar com ela,                          
viver o seu êxtase ao contemplar...
Quando alguém insensível
vem lhe perguntar:
-Mas...   Não pretendes  emoldurar?

Lourdinha Vilela
Imagens - Acrilica sobre tela

22 de agosto de 2011

MARIO QUINTANA



No fim tu hás de ver que as coisas mais leves são as únicas
que o vento não conseguiu levar:
um estribilho antigo
um carinho no momento preciso
o folhear de um livro de poemas
o cheiro que tinha um dia o próprio vento...




19 de agosto de 2011

um lugar qualquer




Encontrou-me a saudade
Num banco da praça
De uma rua qualquer
De qualquer cidade
E o meu lamento era um lamento qualquer
Como o de outra pessoa qualquer
Que volta à um tempo qualquer
 Da sua  mocidade.
Deixei o banco sozinho
Na praça da rua daquela qualquer cidade
E parti também sozinha
Com os meus lamentos
E com a minha eterna saudade.
lourdinha Vilela

.CANÇÃO DO DIA DE SEMPRE



Tão bom viver dia a dia...
A vida assim, jamais cansa...

Viver tão só de momentos

Como estas nuvens no céu...

E só ganhar, toda a vida,

Inexperiência... esperança...

E a rosa louca dos ventos

Presa à copa do chapéu.

Nunca dês um nome a um rio:

Sempre é outro rio a passar.

Nada jamais continua,

Tudo vai recomeçar!

E sem nenhuma lembrança

Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas...


Mário Quintana.