Poesia

A Poesia alcança as fadas, encanta a chuva na madrugada, acompanha os ébrios nos dormentes e se mistura à solidão nas calçadas.

7 de agosto de 2011

                       

PAI SAUDADE.



Há tempos, cultivávamos um abacateiro em nossa casa. Cresci vendo seus galhos multiplicarem-se e nos presentear com sua sombra. Eu já não me recordo de quando foi  que ele me ultrapassou em altura, nem tão pouco quando se deu a sua primeira florada, mas me lembro que a partir daí jamais deixou de frutificar. Todo ano distribuíamos abacates para toda a vizinhança.  O abacateiro cresceu demais, e como foi plantado muito perto da casa, estava trazendo problemas.  Seus galhos debruçavam-se sobre o telhado e quando chovia, o vento os jogavam de um lado para outro, numa dança frenética, com sons que pareciam uivos de lobos. Eu tinha muito medo.  No decorrer do tempo, foi cogitado o interesse em cortá-lo por precaução, já que seus galhos atingiram a rede elétrica. A torcida era para que ele apesar dos problemas continuasse lá, como um marco em nossa família. Todas estas passagens que me recordo agora me trouxeram a lembrança de meu pai. Quando eu me sentia com muito medo, na hora das tempestades, eu o chamava e o levava até a janela para mostrar a situação do abacateiro.  Ele olhava, fazia cara de Super- Homem e como se analisasse o problema, que na verdade era mais assombroso em minha mente do que real, passava a mão nos meus cabelos e me dizia para sossegar meu coração, que não havia perigo algum. Nunca soube ao certo se dentro dele mesmo, talvez houvesse ou não uma pontinha de medo, mas suas palavras traziam a segurança de que eu precisava para relaxar e curtir a beleza da chuva, vendo o barro que salpicava da terra pela força dos pingos e sujava as paredes da casa que logo a chuva lavava e novamente o barro sujava. Ver os caminhos que a água fazia como uma serpente. Correr para pegar folhas de cadernos e construir barquinhos. Vê-los desmanchando-se e, quando eram feitos de revistas, observar as figuras deformando-se até colorir um pouco a água. Contar os clarões dos relâmpagos e esperar o barulho dos trovões.  Um pouco mais tarde, sair prá rua e comemorar um novo clarão, dessa vez, o clarão do sol, atraindo borboletas sobre as flores molhadas...                          
Ele se foi tão cedo! Não pôde mais segurar em suas mãos os meus medos. Eu continuei crescendo, (frágil, porém), sem poder contar com seu abrigo, aquele em que basta um olhar, prá saber do pai que agente tem.

Lourdinha Vilela

katie melua. I CRIED FOR YOU- EU CHOREI POR VOCÊ



/TRADUÇAO

Você tem uma beleza tão silenciosa
Ela jaz sob uma sombra azul
Ela me fisgou tão violentamente
Quando eu olhei para você

Mas outros passam, e nunca param
Para sentir a magia em sua mão
Para mim, você é como uma rosa selvagem
Eles nunca entendem o porque

De eu chorar por você
Quando o céu chorou por você
E quando você se foi
Eu me tornei uma andarilha sem esperanças
Mas esta vida não era para você
Embora eu tenha aprendido com você
Que a beleza precise apenas ser um sussurro

Eu cruzarei o oceano em busca de um mundo diferente
Com seu tesouro, um segredo que devo guardar

Em muitos anos, eles podem esquecer
Este nosso amor ou que nos encontramos
Eles podem não saber
O quanto você significou para mim

Eu chorei por você
E o céu chorou por você
E quando você se foi
Eu me tornei uma andarilha sem esperanças
Mas esta vida não era para você
Embora eu tenha aprendido com você
Que a beleza precisa apenar ser um sussurro

Sem você, agora eu vejo
O quão frágil o mundo pode ser
E sei que você se foi
Mas em meu coração você sempre permanecerá

Eu chorei por você
E o céu chorou por você
E quando você se foi
Eu me tornei uma andarilha sem esperanças
Mas esta vida não era para você
Embora eu tenha aprendido com você
Que a beleza precisa apenas ser um sussurro
Que a beleza precisa apenas ser um sussurro

Videi en viado por DramaticoMusic.

6 de agosto de 2011

DIRE STRAITS- SULTANS OF SWING.

   
    
Enviado por kazimaan

JARDINS



Jardins inspiram
transbordam sentimentos
jardins comovem.
 As Flores ao vento
trazem alento.
Se tu queres ser feliz,
mãos à obra
plante rosas
traga uma delas
de presente para mim.


Lourdinha Vilela

1 de agosto de 2011



NATUREZA MORTA

Quero ainda poder contemplar as matas.
Limpas, sem resíduos, garrafas ou latas.
Banhar-me em cachoeiras
Muito embora chorem em cascatas,
Em preces, para o homem parar. Estacionar.
Sim – O Homem!
Este ser chamado de humano
Que vem pisando, sapateando
Em seu próprio gramado
Onde VIDA é o seu significado
A VIDA que recebemos da natureza,
Que se desfaz agora
Numa escala aterrorizante
Sujeita à ganância
Desse  ser pensante.
Haverá um preço
Pelo nosso consumismo insustentável
Seu valor inestimável
Distribuído em parcelas catastróficas
Pelas alterações climáticas,
Desmoronamentos de terras,
Ah! Pobre gente, que fez seus ninhos nas serras.
É a retenção de calor na superfície do planeta
Alterando o regime das chuvas e secas
Afetando as plantações e florestas.
 E, a desertificação será o futuro que nos resta.
É o tão temido efeito estufa,
Enquanto estufamos nosso desprezo
Por tanta beleza,
Poluindo nossos mananciais
Derrubando arvores, consumindo madeira
Ou colocando gado, com seus gases,
Em áreas preservadas.
Tristeza.
Vamos então fugir do ambiente!
Aonde vamos?
Para os oceanos?
Não será necessário minha gente!
Ele virá até nós,
Com o degelo que cobrirá ilhas,
 Chegará destruindo e arrastando
Nossas casas, nosso descaso,
Nossas maravilhas.
Que triste legado,
Deixaremos aos nossos filhos e filhas.
Nosso coração distraído e gelado será então
Nossa própria armadilha.

Lourdinha Vilela 

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