Poesia

A Poesia alcança as fadas, encanta a chuva na madrugada, acompanha os ébrios nos dormentes e se mistura à solidão nas calçadas.

28 de abril de 2011

Jardins



Temos dentro de nós, um imenso jardim, e ele fica ali esperando que cuidemos dele e assim brotem lindas flores.
Meu jardim anda florido, tenho sonhado muito e considero os sonhos um excelente adubo, eles aumentam a nossa auto-estima, nos faz sorrir, abrem caminhos e saídas. Quando tenho um sonho e algum projeto em mente, sinto que ele se torna mais bonito ainda.
Para manter um jardim precisamos estar atentos, não deixar que faltem nutrientes. O amor é base de todo adubo. Tenho plantado muitas flores durante a minha trajetória de vida: As florezinhas da amizade. Algumas delas enfeitam meu jardim desde a infância, e por mais que me esqueça de regá-las elas continuam lá, sempre prontas para se abrirem como num abraço quando preciso. Essas carregam consigo o perfume da lealdade. Se pretendermos manter as flores da amizade e da convivência, será preciso cultivar outra florzinha preciosa, a flor do perdão que é excelente e contribui com a variedade, evita problemas cardíacos e dizem até o câncer. Tempos atrás nasceram lindas flores, alias as mais belas que ainda cultivo até hoje com toda a dedicação, elas representam os meus filhos. Sei que todo o meu esforço no sentido de mantê-las firmes, sem que se quebrem uma de suas folhas, ou fiquem sem vida, ainda é pouco. A minha própria felicidade depende do seu crescimento e de seu florescer. Sei porem que um dia essas flores fecundarão em seu próprio jardim e se multiplicarão...
Dessas flores, apenas uma, a mais tenra e doce rosinha branca se separou de mim, fisicamente é claro, não porque me descuidei dela, mas porque Deus, talvez vendo a sua infinita pureza e beleza, resolveu colhe-la para enfeitar o céu. Por conta disso outra florzinha quase morreu, era a alegria que se encontrava bem ao centro, essa eu levei alguns anos para cultivar novamente.
Algumas vezes em determinadas situações, sentimos que ervas daninhas se alastram por nosso jardim e tentam acabar com toda sua beleza. Mais uma vez temos que ficar atentos, são ervas do ódio, da inveja, do egoísmo, da ingratidão. Precisamos colher as sementes do Amor-Perfeito e espalhá-las, afim de que sustentem a floração durante a nossa vida inteira.
Por falar em amor e apesar do Mau me quer e Bem me quer, ao meu grande  amor dedico todo esse meu jardim, que cultivamos dia após dia, lado a lado.
Lourdinha Vilela
Frase de Mário Quintana:
- “O segredo não é correr atrás das borboletas... É cuidar do jardim para que elas venham até você.”

27 de abril de 2011

Cidades...


Vejo cenários nas ruas. São crianças, com pezinhos descalços, jovens, velhos dispostos nas calçadas com expressões de lamento. Cenários escuros e silenciosos.
Muitas vezes nos sentimos assim também, abandonados, desconsolados, vazios e entorpecidos por algum sentimento de dor. Porem chegando à nossa casa tomamos um banho quente, ouvimos música, conversamos com alguém e tudo passa e muda. Nas ruas o cenário não muda e aquelas pessoas continuam lá. Fazem parte do ambiente, rodeadas por vitrines luxuosas.  Imagino a cidade como um corpo que tem alma. A parte externa está bem, protegida da chuva, do frio, do calor, mas a alma está triste, na sarjeta. Nossa cidade é um corpo, corpo e alma. Sua parte física são os prédios, casas, carros, somos nós que temos emprego, um teto, estabilidade e identidade. Sua alma são mendigos, drogados, transeuntes do infortúnio, jogados à própria sorte, figuras de um quadro onde a moldura é de ouro e a pintura está ruindo, se desgastou pelo sofrimento e intempéries. Precisa de restauração. Continuamente passamos e verificamos que a alma da cidade está triste, sem abrigo ou consolo, e apenas passamos, nos omitindo, com medo de nos aproximar um pouco mais dessa realidade e oferecer ajuda concreta. Somos espectadores e nos preocupamos mais com a moldura, afinal ela enriquece e valoriza a obra, mesmo que o tema seja esse, desolador e triste. Hoje porem, fiquei com medo de nada fazer, de perder o elo que me faz semelhante Àquele Restaurador Divino no qual acredito e acreditam essas pessoas possa lhes cobrir com tinta nova.

19 de abril de 2011

Relax

 




Ao Cansaço do dia

Misturei meus versos

E me embalou a poesia

Lourdinha Vilela





Alberto Caeiros


Não me importo com as rimas.Raras vezes
Há duas árvores iguais,uma ao lado da outra.
Penso e escrevo como as flores têm cor.
Mas com menos perfeição no meu modo de exprimir-me
Porque me falta a simplicidade divina
De ser todo só o meu exterior.

Olho e comovo-me,
Comovo-me como a água corre quando o chão é inclinado,
E a minha poesia é natural como o levantar-se o vento...

Pescaria




Num cantinho de Minas
Na cidade de Palmital
Vejo um barco na lagoa
Lá se vão os meus amores
A pesca vai ser boa
Quando a noitinha chegar
Vão voltar os meus amores
Com mentiras prá contar
Como todos os pescadores.