Poesia

A Poesia alcança as fadas, encanta a chuva na madrugada, acompanha os ébrios nos dormentes e se mistura à solidão nas calçadas.

26 de dezembro de 2011

RESSACA




Expectativas para o Natal
e o Ano Novo também
acelerando corações
para o milagre que vem.

Exagerando sempre na dose
Correria e consumo
para  saciar a ansiedade
os desejos apontam os rumos.

E como num passe de mágica
chega até nós,
a cura de todos os males
no pavê de chocolate,
O rejuvenescimento da pele
na mousse de maracujá,
limão ou abacate.

A volta de um grande amor
em várias  taças de vinho.
E se o amor não voltar?
não iremos ficar sozinhos
Se até a uva-passa
A solidão passará.

É final de ano, É ano Novo Também!

E se o nosso cartão de crédito
virou Papai Noel
caso  a gente  não pague
As contas irão para o céu

Tudo é festa, tudo é brilho,
Tudo ilusão
A sensação de vencer obstáculos
de somar esperanças
Faz de nós ao menos nessas datas
pequenas grandes  crianças.

Porém,  se o sonho
  voou como um passarinho,
 e a realidade fere
como um feroz animal
esperamos mais um pouquinho, 
logo será carnaval.

 Para não acabar de todo
com a nossa  vã alegria
o remédio agora é:
Correr na academia











(Muitas vezes no Natal o aniversariante é esquecido)

19 de dezembro de 2011

FELIZ NATAL




 Desejo a todos nesse Natal, que suas famílias estejam reunidas e entre si  verdadeiramente unidas, em  perfeita  paz. Que os pais protejam seus filhos, que os filhos protejam seus pais.

Que suas mesas sejam fartas. E que quando, farta, significar “Falta” tudo (linguagem regional) sejam socorridos pela nossa Pátria amada, pelos bons corações dos que possuem mais. Que possam experimentar o direito que têm a uma vida digna, sem frio e sem fome.

Que haja equilíbrio social monetário. (Utopia)?

Que as mães e trabalhadoras do lar sejam abençoadas, elas que direta ou indiretamente contribuem para que tudo aconteça, e nos fornecem a combustão diária para enfrentar os desafios diários na nossa vida.

Que os profissionais de saúde, principalmente médicos e enfermeiros encontrem melhores condições de trabalho, melhor remuneração e sejam verdadeiros doadores de si mesmos, sem negligenciar, somando ao seu trabalho uma mega dose de carinho para com os seus pacientes, e que esses, estejam bem acomodados em leitos limpos e não em corredores ou no chão dos hospitais e possam ao menos não sentir dor.

 Que os policiais de todas as categorias, onde quer que estejam, cumpram com seus papéis de defensores e,  sejam também protegidos  na sua integridade física. Assim como os bombeiros, que experimentam dia a dia o sofrimento alheio. Sejam eles policiais e bombeiros militares os nossos verdadeiros heróis.

Nas ruas os vendedores ambulantes encontrem um lugar ao sol, mas que o sol não lhes queime a cabeça. Estejam dispostos a cumprir com seus deveres de cidadãos.

 Aos trabalhadores da construção civil, a minha eterna admiração. Esses que com suas mãos vão tecendo nossas cidades, tijolo a tijolo, verdadeiros artesãos, dispostos em andaimes, nas alturas.  Braços fortes apesar da precária alimentação, construindo palácios e vivendo em casebres.  Possam eles como tantos outros possuir sua tão sonhada casa própria, e dar à suas famílias um pouco mais de conforto.

Aos trabalhadores do campo, o subsidio suficiente às suas necessidades para plantar e colher o pão e os grãos nossos de cada dia.

Aos religiosos, que suas preces retornem a si próprios, em dobro.

Às crianças desejo que sejam verdadeiramente crianças e os jovens verdadeiramente jovens, sem atropelar o tempo. Consigam vencer as drogas. Não sofram qualquer espécie de abuso ou violência, e que seus sonhos e suas vidas não sejam interrompidos subitamente. Que possam brincar, estudar, cantar dançar e serem felizes em suas escolhas.

Aos professores, seres mágicos e extensão dos pais de cada um dos filhos desse país, todo o meu carinho e apreço. Que a saúde lhe seja a dádiva maior de Deus, para que suportem o stress, e não desistam jamais da batalha na formação desses jovens.

Aos cientistas, que sejam iluminadas as suas mentes e que recebam os recursos necessários para a realização de suas pesquisas e projetos.

Aos políticos o meu olhar severo e vigilante, porém, cheio de esperança de que através deles muitos desses desejos sejam alcançados e realizados.

Enfim a todos os homens e mulheres, jovens, crianças e profissionais do meu Brasil, com os meus olhos elevados a Deus em oração peço proteção e paz, e que todos juntos, tenhamos um Feliz Natal.


.  
Quero agradecer à minha netinha Beatriz (12 anos de idade) pelo visual Natalino  do Blog. Um beijo prá você Bia linda.



                
Créditos: Gifsgifs Claudine Netto 

14 de dezembro de 2011

O ESPELHO


Hoje estive pensando, sentada na frente do espelho, o quanto ele esteve e está presente em nossas vidas.
Você já parou pra pensar nisso? Tenho certeza que não; mas veja: Enquanto criança vivia sempre às voltas com um espelho na mão, não por vaidade, apenas por estar inventando brincadeiras.  Gostava de percorrer os corredores da casa com um espelho refletindo o teto, dava uma sensação de medo, parecia estar flutuando de cabeça para baixo, ainda mais quando me encontrava na casa de minha avó, com aquelas telhas coloniais antigas, parecia que ia cair, ficava um pouco tonta, e acabava em gargalhadas.
Quando chega a adolescência, aí é que não nos desgrudamos de um espelho mesmo. Quantas vezes ele nos viu sorrir ou chorar descabeladas, felizes ou muito infelizes com nossa própria aparência, já que nessa idade, para determinadas pessoas o que mais importa é a aparência.  Passamos horas diante dele, experimentando roupas, sapatos, bijuterias enfim tudo, o que possa preencher nossa vaidade. Tudo normal, sem contar os exageros cometidos em nome dela, como as anorexias, bulimias etc. Porém é claro que não iríamos deixar de aproveitar essa fase mágica, e esperar que o tempo passasse sem nos sentirmos como princesas, e atuarmos em um castelo encantado. Tudo faz parte de estarmos inseridos em sociedade alem de satisfazermos nosso próprio ego.
 Teremos que estar preparados, pois um dia virá, em que felicidade já não irá combinar tanto com espelhos; quando chegarmos lá pela terceira idade, ou “melhor idade” como se diz por aí para adoçar o nosso lado psicológico. Já estou me preparando. E se você também já chegou ou está chegando nesse momento que também deverá ser encantador,se levarmos em conta o aprendizado, e a construção de uma vida, não se entristeça não e quando se encontrar diante de um espelho como estou agora e começar a contar os infinitos cabelos brancos, as pequenas rugas e tiver vontade de sair correndo atrás de uma clinica de beleza, com certeza irá recuperar uns quinze anos de sua aparência, porém não se esqueça de que toda essa trajetória só foi percorrida por que nosso coração pulsa no peito, sinal de que nascer crescer, envelhecer, significa estar vivos, e é  isto o que realmente importa.


Que tal agora ,na plenitude do amadurecimento, nos tornarmos espelho, e tentar refletir um pouco mais de paz, serenidade compreensão, carinho e sabedoria  ao mundo que nos cerca!

lourdinha Vilela

4 de dezembro de 2011

NA PAZ DA POESIA.

-


Ando encontrando espaços dentro de mim.
Estão lá guardando coisas, memórias e sonhos.
-Uma guerreira  encarando frente a frente
traumas adolescentes.
No  campo minado quer explodir agora.
Explosão do que feriu. Meu coração Escarlate.
-Há bálsamos com grande poder de cura
Um  declinar de sol se despedindo, vibrante porém,
aquecendo ainda. É o meu olhar maduro.
E misturando tudo...
-Suspiros  em sinfonia inspirando um norte  de essências,
prelúdio da doce inocência.
-Sou eu vestida de branco. Na paz da poesia.
Se pareço criança, que eu seja então sempre criança.
E que me embale os braços das ilusões.

Lourdinha Vilela



Imagem retirada da Internet

30 de novembro de 2011

DO CORAÇÃO.




O horário foi marcado há duas semanas, seria às 15 horas.
Aline retirou a folhinha do calendário, suspirou aliviada e apreçada,  teria que se arrumar. Entrou no chuveiro molhou os cabelos, deixou que a água penetrasse bem neles e esfriasse um pouco sua cabeça que parecia ferver. Movimentos rápidos aceleraram seu banho.
Escolheu o vestido do primeiro encontro, era de cor rosa bem suave, com  a saia evasê.  Entrou rapidamente nele, secou os cabelos, caprichou na maquiagem e diante de um grande espelho sentiu certa alegria, aquela que toda mulher satisfeita com a própria imagem sente..  Seus cabelos longos e pretos caiam sobre os ombros cobrindo um pouco o decote, os olhos amendoados castanhos escuros, o corpo apesar dos seus trinta e seis anos de idade era bem delineado e proporcional.  Apesar de toda sua beleza Aline sentia-se apenas um projeto de mulher. Talvez  ao fim de toda esta angústia voltasse a se sentir mais valorizada em sua autoestima.
Os sapatos teriam que ser baixos, não conseguia dirigir de saltos, mesmo assim levou um par para trocar ao descer do carro, queria estar elegante.
Antes de sair Aline olhou de relance para o final do corredor e viu a porta de um dos quartos de seu apartamento recém pintada na cor creme, ainda exalava um cheiro de tinta fresca, esboçou um sorriso, fechou a porta e seguiu até o carro.
Já no carro sentia seu coração bater apressadamente, ligou o som para tentar se descontrair um pouco. No CD do Ozzy Osbourne procurou a música Mama I´M Coming  Home.
O Trânsito fluía bem. Desejou encontrar todos os sinais abertos. Acelerava muito ao longo das avenidas sem se descuidar da sinalização. Nada poderia comprometer sua chegada. No centro  da cidade tudo  lhe parecia bonito, até mesmo os muros  pichados com aqueles desenhos agressivos . O dia estava claro e revelador.
Quanto mais se aproximava do seu encontro, sensações se sucediam em seu coração, momentos de tensão, calafrios, euforia, Seu rosto também recebia tudo isso com um rubor intenso. Parecia fogo adolescente.
O CD reiniciava.
Chegou ao local.  Manobrou o carro em direção a guarita do estacionamento, se esqueceu de retirar o cartão de entrada, engatou a ré e agora sim, retirou o cartão e entrou. Sentiu-se um pouco mais tranqüila e agradeceu a Deus por ter chegado bem. Em seguida desceu do carro trocou os sapatos, pegou sua bolsa e dirigiu-se a portaria do prédio. O Elevador chegou rápido e logo estaria diante da realização do seu maior sonho, nada lhe traria mais felicidade. Chegou ao andar indicado,  caminhou um pouco até uma das portas, abriu e entrou.
Lá estava ele, os olhos negros e úmidos, parecia ter saído do banho, um cheirinho maravilhoso. -Chorou, Aline chorou também lágrimas da mais pura alegria depois de tanto tempo de sofrimento, correrias, e dissabores. Agora seus corações eram acalentados. Tremendo um pouco Aline retirou a manta azul que o cobria, queria senti-lo mais perto do peito. Acariciou sua face rosada e olhou para o alto como em uma prece e agradeceu novamente a Deus.
Enfim se concretizou todo o processo de adoção. Augusto era o seu nome. Assinou alguns papéis para cumprir mais um pouco de burocracia, tudo agora era apenas felicidade.
Deixou que os profissionais se despedissem dele enciumada, não queria perder nem mais um minuto da sua presença, sua vontade era  sair dali correndo, tinha um medo  inexplicável de que algo acontecesse e a fizesse perder tudo o que havia conquistado. Sua frustração pelo fato de não poder dar à luz, fez de sua vida um mar de tristeza.  Recordou a primeira vez em que o viu,  prematuro, perdido dentro das roupinhas, enfrentando todo o desconforto daqueles aparelhos. Tudo aconteceu quando visitava uma amiga no hospital. Seguindo um instinto, a sua vontade era de passar no berçário também, adorava crianças.  Uma enfermeira lhe informou a situação do bebê. Soube logo que por vários motivos narrados, iria para adoção.  Sentiu-se envolvida e apaixonada por ele, queria lhe dar toda a proteção.  Começou daí uma luta demorada.
 Agora porem, tudo era passado.  Entre beijinhos e adeusinhos eloqüentes, saiu orgulhosa e feliz com seu amorzinho nos braços.

No  carro, o aconchegou dentro do Moisés, e com grande carinho beijou seus pezinhos de filho do coração.


Lourdinha Vilela




Imagem da Internet



27 de novembro de 2011

Sinais de mãe.



Vibro e sigo
com uma britadeira no peito
É o meu coração dando sinais.
Eu escuto e sinto mas não vou parar a caminhada
dia e noite afora,
enquanto ele vibra, mais que pulsa.  
Apenas sei da batalha de mãe,
a mais difícil talvez
Para não  entregar  a Deus filhos imperfeitos
Se para mim, perfeitos, Deus os fez.

Lourdinha Vilela

19 de novembro de 2011

Teatro da vida.(Aos meus filhos)





Filhos são como estrelas e a cada dia atuam no espetáculo chamado vida. 
Ao lado deles, nós os pais, estaremos sempre! 

Durante grande parte do tempo no decorrer dessa carreira, encontramo-nos na condição de seus diretores , traçamos metas, revisamos os textos, influímos em seus contextos. Se acaso erram, oferecemos nova chance de regravar seus papéis. Empreendemos tudo que temos para que brilhem, alcancem o topo, e façam jus aos aplausos que acontecerão em forma de conquistas, sucesso e qualidade de vida. Não é fácil se tornar estrela. Na condição de contra-regras, facilitamos todo seu trabalho, amparando, oferecendo préstimos que contribuirão com seu crescimento - conselhos, proteção financeira, etc., principalmente oferecendo carinho e amor, fatores que terão grande influência psicológica na personalidade e desenvoltura de cada um particularmente. Até aí porem, eles se sentem como coadjuvantes e é certo não esquecer que estrelas têm luz própria e um dia teremos que deixá-los livres à procura de outras companhias, de espaços para a montagem de novos palcos  tornando-se atores principais conforme seus anseios. É inevitável que cresçam e escapem do nosso controle. Sendo assim meus filhos, pedimos ao Pai Celeste que os proteja e, mesmo que o brilho  seja ofuscado por algum insucesso ou infortúnio,  que se cerrem as cortinas e que aplausos deixem de soar, reascendam suas estrelas e olhem lá no fundo, seremos seus eternos espectadores, com mil flores para lhes entregar.





VÉSPERA


Não posso esperar agora
Se o esperar já não me espera
Estou contando as horas
Já contei muitas primaveras.
Esperar a chuva cair
Prá depois sair
Esperar esquentar prá não resfriar
Esperar o dia clarear
Esperar o sol se por
Esperar o ano que vem.
Tenho que ser urgente
Somente
Prá ainda poder
Tomar banho de chuva
Ficar elegante no inverno
Fazer poesia de madrugada
Ver as luzes da alvorada
E o ano que vem!
Que seja agora também
Vestida de festa
Que a hora é esta!

Lourdinha Vilela

Imagem Net




18 de novembro de 2011

HÁ UM TEMPO- FERNANDO PESSOA



Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.


Imagem /Net

Livro


A tarde se faz em cores cinza
A tempestade desaponta o domingo preguiçoso
envolto em lençóis de lã.
O livro guardado a mil chaves espera
que de seu leitor favorito,
lhe alcance as mãos quentes, lhe retire o pó,
e recomece a viajem por suas páginas primaveris
 de sol dourado e romances calientes

Lourdinha Vilela
Imagem-Net

9 de novembro de 2011




Não entenda de mim
Apenas dos meus gostos
Dos meus caprichos
Do meu jeito
Das minhas leis
Não quero ser entendida
Apenas por meus momentos
Nem propósitos incomuns
Tudo o que está estampado
Pode ser nada
Se a porta estiver trancada
Procure as chaves
Dentro dos meus olhos talvez
Na lágrima que agora cai.

Lourdinha Vilela

imagem - NET

5 de novembro de 2011

O MEU AMOR

Preserve o meu amor por ti
Ele é fonte singular de ternura
Que enobrece o teu viver,
suaviza o lado torpe e talvez tirano
da sua insensatez .
 Entregou a ti o próprio trono
e se deixou submeter aos teus caprichos.
Roga por ti nas tuas quedas.
É  como a chuva e o  sol sobre as plantas
que potencializam a floração,
logo se notam  os frutos.
Preserve o meu amor,
e em sua paz ouvirás
violinos e harpas.
Sonoro é o meu  amor,
Serei sua eterna canção.

Lourdinha Vilela

Imagem -Papeldeparede.etc.com

2 de novembro de 2011

SAUDADE


Quem é você agora;
Pássaro rompendo a madrugada
a procura do alimento matinal.
Por quantos caminhos tens vagado,
e a tua essência é ainda a mesma
do ponto de partida.
 A fome que te consome
não será saciada por semente alguma que não possua
O néctar das tuas lembranças,
fruto da tua saudade.

Lourdinha Vilela

1 de novembro de 2011



-Não me acorde, ó manhã barulhenta!
Buzinas, sirenes e vozes que explodem,
me ferem os tímpanos, me aguçam os sentidos
e me fazem correr rumo à sobrevivência.
Porém dentro de mim o que urge,
é por silêncio.




Lourdinha Vilela.

21 de outubro de 2011

Feliz


Tenho recebido notícias, tantas
e de tudo,
que às vezes até me desvio delas
para não pirar.
Notícias econômicas
que me colocam em alerta,
de como devo gastar, de tudo que tenho à pagar,
do pouco que tenho, do muito que sonho,
e  perco o sono, e acordo no engano, mas volto a sonhar.
Notícias científicas,
de mil descobertas
que me colocam em alerta
do que posso ou não comer,
 como devo andar ou correr
de  ter que visitar o cardiologista, e todos os outros (istas)
e perco o sono, e acordo, sabendo que preciso  ao menos de oito horas de sono
prá continuar a viver e sonhar.
 Noticias da violência,
que nem precisariam noticiar.
Que me colocam em alerta
mas basta sair às ruas
E com violência me deparar
Notícias esportivas, tecnológicas, religiosas astrológicas,meteorológicas,geográficas,históricas,artísticas ...
Não sei na verdade aonde iria chegar!
Mas eu queria apenas notícias de velhos amigos
 E com os velhos amigos   me reencontrar,
relembrar coisas passadas
como, quando do colegio ao voltar,
 , rindo prá tudo e de tudo,
o  ônibus pegar e dentro do ônibus poder cantar.
Na descida prá casa me equilibrar sobre as guias,
abrir o chocolate que amassou no bolso do jeans
e a cara lambuzar.
Sentir de longe o cheiro de bife
no almoço ou jantar e, ainda
com os amigos apostar,
-Vem lá de casa. E a aposta ganhar.
Como seria bom, noticias sobre a lua escutar
Que ela hoje estaria cheia,
e a rua cheia de gente  despreocupada e feliz encontrar.

Lourdinha Vilela

NAS RUAS.


Vou fechar os meus olhos,
se por eles já fechei minhas mãos,
se por eles não falei aos políticos,
se por eles não gritei aos céus,
se apenas deixei que passassem,
e cuidei para que não me importunassem.
Vou fechar os meus olhos,
pois só agora compreendi,
que em cada um deles, Tu estavas,
que por cada um deles, Tu gritavas,
que aos céus Tu, os levavas,
que em trapos era Tu 
que assim te vestias
e passavas por onde eu bebia e comia,
do pão que Tu me davas
e eu não sabia.
Vou fechar agora os meus olhos,
e em oração vou Te pedir perdão.

Lourdinha Vilela

15 de outubro de 2011

INOCÊNCIA- Minha eterna homenagem .

Flamboyant

Um professor é a personificada consciência do aluno; confirma-o nas suas dúvidas; explica-lhes o motivo de sua insatisfação e lhe estimula a vontade de melhorar.Thomas Mann- ;Consulta - O PENSADOR
                                                                Imagem Wordpress

1965.
                                                                       
Quando amanheceu, Eliza correu para o fundo do quintal de sua casa. Uma casa simples com janelas de madeira que já se encontrava corroída, uma árvore florindo cujo nome ela ainda não conseguia pronunciar direito, era o famoso flamboyant que cobria com folhas caídas de seus galhos o enorme telhado de um velho galpão.  Era outono.
Ninguém deveria descobrir o seu segredo. Era a segunda manhã em que agia dessa forma. Acordava bem cedinho antes de todos e corria para o galpão onde havia uma série de coisas guardadas. Toda aquela velharia era como um tesouro, graças às inúmeras possibilidades de brincadeiras a serem exploradas, onde a imaginação criava asas, porém por ordens expressas não deveria mexer. Aí a curiosidade aumentava e sempre que de sua mente esperta nascia alguma idéia, recorria aos caixotes atolados de surpresas. Numa dessas investidas Eliza descobrira um amontoado de azulejos de todas as cores, branco, azul, rosa, eram peças antigas de uma coleção e a menina ficou encantada. Como se recordara dessas peças, nessa manhã ali estava colocando seus planos em ação.
                                                                            
Aquele seria um dia festivo. Era o aniversario da professora Dione. A escola, a mais pobre escola do bairro ficou toda enfeitada com bandeirinhas feitas pelos próprios alunos. Nas salas, os professores retomavam os ensaios das homenagens que seriam feitas a ela. Um palco foi montado no pátio, claro haveria teatrinho, muita música, dança e também um lindo bolo, salgados, refrigerantes, etc. Para Eliza era um privilégio e um orgulho ser sua aluna. Todos a amavam. Era a mais antiga professora da escola.
Eliza ensaiou durante duas semanas a musica “Granada”, a preferida de sua professora. Dione, descendente de espanhóis gostava de cantarolar velhas canções e sempre comentava sobre o país de origem de seus pais com seus alunos. Essa canção seria interpretada em espanhol, e possuía notas muito altas, bastante difíceis para uma menina de apenas dez anos de idade. Sua voz era maravilhosa. Em todas as festividades da escola lá estava ela cantando as canções escolhidas pelos professores.

                                                                                                                                                                
 Tudo pronto, Eliza vestia um lindo vestidinho vermelho, longo  rodado e com vários babados, parecia mesmo uma dançarina de flamenco.  Para acompanhá-la duas meninas vestidas da mesma forma, tinham os cabelos presos por uma flor na mesma estamparia dos vestidos. A roupa de Eliza fora emprestada por uma amiguinha.   
Ao final de sua respectiva apresentação, cada aluno ou grupo faria a entrega do presente à professora. Eliza olhava assustada e receosa para o cesto onde se encontravam e pelo capricho dos embrulhos podia imaginar como deveriam ser bonitos e caros talvez.  Suava frio, ao lembrar-se do seu humilde presente.  Qual seria a reação de sua querida professora?  Teria sido melhor que não trouxesse nada e apenas lhe entregasse o seu abraço tão esperado?  Mil coisas passaram por sua cabeça. Ela sabia das dificuldades financeiras de seus pais e nem ao menos tentou molestá-los para que lhe ajudassem a presenteá-la. Ansiosa lembrou-se da dificuldade em ficar lá no galpão e preparar aos poucos a cada dia o que seria o seu presente e ainda trazê-lo para escola. - Nossa como pesava! Precisou da colaboração de uma colega.

Ao chegar a sua vez de se apresentar Eliza tremia. Subiu ao palco com as outras meninas.   Estavam lindas. A música seria interpretada apenas ao som de um violão elétrico, que conseguiram com o filho do prefeito da cidade. Ele mesmo faria o acompanhamento.
 Foi um verdadeiro sucesso, os aplausos soavam cada vez mais fortes, todos ficaram de pé, muitas lágrimas e muitos elogios. Elisa seria um dia uma grande cantora. Sua interpretação foi perfeita.  Mas, e agora? Chegou o grande momento! Eliza deixou que suas amiguinhas se colocassem a sua frente e entregassem seus presentes.  Ela seria a última. A professora abraçou a cada uma delas.  Eliza fez um sinal para sua coleguinha, aquela que lhe ajudara antes no caminho para escola.  Ela subiu ao palco e solidária carregou a metade do presente de Eliza até a professora Dione.
Houve um grande silêncio. Apenas se ouvia o barulho do papel de seda enquanto a professora o rasgava.  Ela olhava o embrulho e as mãozinhas de Eliza que sangravam.  Meio perdida aproveitou o papel para limpá-las. Aos poucos ia descobrindo a dedicação de sua alunazinha e o motivo de haver se cortado “Os lindos azulejos decorados por Eliza”. A menina provavelmente recortou de alguma revista ou talvez  da capa de  um disco a  letra da  música que acabara de interpretar e colou em partes nos azulejos  de modo que a seqüência de uma estivesse em outro , daí  a quantidade de azulejos utilizados.  As bordas foram decoradas com laços de fitas brancas. Em outro colocou sua própria fotografia.  A professora chorava emocionada ao ver tanta criatividade e amor.  Sabia que jamais iria se separar daqueles azulejos, tão simples e tão significativos. Abraçou Eliza com muita emoção e secou duas lágrimas no seu rostinho de criança assustada.                                                                           


Lourdinha Vilela.
                              
                                                      fim


Granada é uma canção mexicana escrita em 1932 por Agustin Lara . A canção fala sobre a cidade espanhola de Granada e tornou-se um Standard no repertório de musica devido à natureza exuberante da melodia e as letras em espanhol "Granada" foi aceita por cursos de musica da faculdade como uma "Canção Arte".Fonte:Wikipédia.


Musica de Agustin Lara 
Interpretação - el tenor José Carreras
Video -YOU TUB enviado por DanúbioAzul

Professor – O INSUBSTITUÍVEL

Mesmo que a máquina venha substituir o professor no amanhã, esta não será capaz de germinar idéias e sugestões.-  Erasmo Shallkytton - site O PENSADOR


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14 de outubro de 2011

FLORES DO CERRADO

A força da natureza me surpreende sempre nas flores do cerrado, vejam a delicadeza dessas flores que proporcionam alegria aos olhos de quem as encontrem. Sou apaixonada pelas espécies nativas do cerrado, tanto me fazem bem aos olhos como à alma.  Muitas vezes elas nos dão a impressão de serem apenas frágeis sobreviventes. Noutras tenho a sensação de que são a prova viva da força que vem de Deus. Sem ter  alguém para regá-las nas prolongadas secas, aguardam a primeira chuva e  despertam do seu adormecer  sob solo  ardente,   nos presenteando  com o seu colorido singular.


Imagens - Lourdinha Vilela 

4 de outubro de 2011



Meus versos são lúcidos,
quando exponho a minha realidade.
Se acaso, me encontro em meus devaneios
quão insanos serão os meus versos
À confundir as minhas verdades.  


Lourdinha Vilela

24 de setembro de 2011

PARAISO



Que saudade de nosso cantinho
onde o sol aparece cedinho
e se põe bem de mansinho,
sem pressa de adormecer.
Bandeiras celebram nossa chegada
no vento a tremer,

Flores erguem suas taças,
E agradecem a Deus
Tão simples e tão belas
buscam luz na janela
enfeitiçam os olhos teus.


No decorrer do dia
visitas inesperadas
querem cumprimentar,
apenas  um mugido ao longe,
faltou coragem de chegar


Quando chega a tardinha;
na estrada prá lagoa
a gente vai caminhar


Tanta beleza  incandeia!
e pensar que a natureza
AINDA
insiste em nos agradar...

Imagens - Lourdinha Vilela
Palmital - MG.



19 de setembro de 2011

DESILUSÕES


Há uma força prá baixo
querendo desconcentrar,
e tudo em que se acredita
parece desencantar.
Difícil é se alcançar as metas
 tentar colher  muito
do pouco que se plantou.
Alongou-se demais o tempo,
cansada a vida vivida 
 apenas de ilusões ficou
como iscas à espera,
deixadas na beira do rio
que o peixe não fisgou.
Não se tem mais elementos,
talvez pingados argumentos,
 será que o tempo da busca
e da luta passou?
Ou tudo, o desejo certo ou incerto
dentro do peito,
aparentemente se acomodou.
Por que então essa inquietude
Essa agonia que dá,
Quando se olha no vazio
Querendo a si mesmo encontrar?
Talvez por que a luta seja eterna
na busca que continuou.
Mesmo que não se perceba
a chama continuará acesa
se o pavio, de todo não se queimou.

Lourdinha Vilela

Imagem  Net

14 de setembro de 2011

BRASÍLIA-BAIXA UMIDADE


Há um cheiro de chuva,
 quando bate nas pedras,          
entranhas da terra,
nos ramos das eras,
carregando a poeira,
prá longe, bem longe.             
Será uma miragem,
Ou apenas saudade
 da chuva quando cai?
Brasília agoniza!
Um deserto aqui se instalou
agora são as cinzas
Incêndios, incêndios...
Quem provocou?
A fumaça nos alcança
em qualquer direção.
Nossos olhos com lágrimas,
a pele irritada,
a respiração ofegante
e triste o nosso coração.
 É o Cerrado que arde
 onde pouco restou
queimaram-se ninhos
rasteiros bichinhos
Até  macaquinhos,                      
Apenas quem pode voar, voou

Bravo!
Corpo de Bombeiros Militar do DF.
que à fumaça abraçou.
Dia e noite, combatendo as chamas,
e, o fogo apagou...
Até quando?  Não sei.
Vamos esperar pela chuva
prá fazer brotar das queimadas
o verde de Brasília
Por mais uma vez . 


Lourdinha Vilela
Imagens - Jornal do Brasil.

11 de setembro de 2011

LÁGRIMA


A minha lágrima...
rio dentro da alma
que aprisionada quer se soltar
e se exprime gota a gota,
no vermelho do meu olhar,
tem   gosto de chama
da chama do amor
que muitas vezes,
arde e fere até sangrar.
A minha lágrima...
Tem  gosto  de vento
o vento do adeus,
do amor que se vai
prá não voltar.
A minha lágrima...
Tem gosto de néctar
O néctar das flores
As flores que chegam
Pedindo prá perdoar.
A minha  lágrima...
rio dentro da alma
que aprisionada quer se soltar...
prá celebrar nossos sorrisos
 mistura-se agora,
 as  lágrimas contritas
no vermelho do seu olhar.




Lourdinha Vilela